que terá de administrar em outros estados importantes da Federação. O Rio, por exemplo. Minas, por exemplo. São Paulo, por exemplo...
O aceno de Lula a Antônio Ermírio, contraditório na essência, contém ainda uma contradição circunstancial: há poucos dias, Lula descartava a participação do ex-ministro Ciro Gomes na frente de esquerda, acusando-o (corretamente, aliás) de não ser da esquerda. Por que descartar Ciro e abrir os braços ao megaempresário, que jamais demonstrou a mínima simpatia pela esquerda e tampouco pelo PT? Ora, ora, ora: o segundo - que, pela lógica, deve delicadamente declinar do convite de Lula - não tem a ambição de ser o presidente da República, enquanto o primeiro, Ciro, está se armando e arregimentando forças para sitiar e depois ocupar o Palácio do Planalto, missão para qual precisará de muita ajuda, principalmente dos céus.Apoio explícito 1O governador Jaime Lerner voltou a acenar, desta vez sem meias palavras, para que o PSDB apóie sua candidatura à reeleição. O gesto de Lerner foi feito em Foz do Iguaçu, domingo, segundo dia dos Jogos Mundiais da Natureza. O gesto pode ter sido motivado pela embriaguez causada pelas maravilhas naturais da região e pelo eco, misturado com o barulho ensurdecedor das águas das cataratas, provocado pelo encontro, no sábado, com o presidente Fernando Henrique Cardoso, que participou da cerimônia de abertura dos jogos.
A mais de mil quilômetros de distância, o presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, comovido com as manifestações anti-FHC de Antonio Ermírio de Moraes, declarou, em São Paulo, que vai convidá-lo para subir no palanque das oposições na campanha eleitoral do ano que vem. A atitude inusitada de Lula foi motivada por recente entrevista de Antônio Ermírio à revista ‘‘Veja’’, na qual o empresário critica a condução do Plano Real.
Pois o fim-de-semana, tradicionalmente pífio de notícias políticas, produziu estas duas pérolas da historiografia nacional. No terreno estadual, Lerner afirmou, segundo a ‘‘Agência Estado’’ e transcrito pela ‘‘Folha’’ na edição de ontem, que considerava ‘‘um absurdo’’ Fernando Henrique lançar um candidato ‘‘contra mim’’, já que, uma vez no PFL, o governador participa da base de apoio do presidente. No plano nacional, em seu esforço de consolidar a tal frente de oposição desde que o candidato desta frente seja ele próprio, Lula manda beijos e abraços para Antônio Ermírio, o maior empresário do país.
No terreno prático, o que seria mais absurdo? O PSDB, que enxotou as pretensões de Lerner filiar-se à legenda, aceitar a dobradinha com o governador, ou a união do capital com o trabalho para derrotar o sonho reeleitoral de Fernando Henrique?
Ao entrar para o PFL, Lerner conseguiu neutralizar Fernando Henrique que, mesmo que Álvaro Dias seja candidato ao governo no ano que vem - como quer a ala ‘‘autêntica’’ dos tucanos - terá de se manter a distância do processo eleitoral paranaense. Para o presidente, na realidade, será um problema a menos diante da sucessão de imbrogli

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