Brasil On Line (José Antonio Pedriali)
Paulo Maluf (PPB) continua incrédulo quanto às seguidas declarações de Mário Covas (PSDB) de que não pretende disputar a reeleição para o governo de São Paulo. Para o ex-prefeito paulistano, Covas é candidatíssimo mas está chantageando o presidente Fernando Henrique para obter a liberação de recursos e novos investimentos para São Paulo. Maluf diz que, no momento oportuno, Covas virá com tudo, mas vou derrotá-lo.
Mais umEnfim, depois de 16 dias contando e recontando os votos, impugnando e liberando urnas, eis que o general reformado Lino Cesar Oviedo, 54 anos recém completados e o mais controvertido personagem da atualidade paraguaia, é aclamado candidato do todo-poderoso Partido Colorado à sucessão do presidente Juan Carlos Wasmosy. A indicação de Oviedo, ocorrida segunda-feira à noite, está sendo questionada na justiça eleitoral por seu principal adversário, o ex-chanceler Luis Maria Arga¤a, derrotado por uma margem ínfima de 1,8% dos votos.
Oviedo é um militar de têmpera de aço, mas seu temperamento é mais imprevisível que as consequências do fenômeno El Ni¤o: da discrição peculiar a um coronel do Exército ele se transformou, a partir de 89, quando o general Alfredo Stroessner foi deposto, num general tonitruante, cuja eloquência e movimentos no território pantanoso da política lhe custaram a passagem para a reserva e um longo período em prisão domiciliar.
A punição lhe foi imposta pelo presidente Wasmosy, de quem Oviedo jurou se vingar - e sua candidatura pelo Partido Colorado tem, para ele, o sabor, o doce sabor da vingança que nem pôde esperar para ser servida fria. Oviedo ficou pau a pau com Arga¤a - ele obteve 36,75% (231.727 votos), enquanto o ex-chanceler ficou com 34,97% (220.525 votos) - mas massacrou o candidato de Wasmosy, Carlos Facetti, que ficou com pouco mais de 20% dos votos colorados.
Oviedo foi para a reserva compulsória no ano passado depois que, em abril, foi acusado por Wasmosy de tentar um golpe de Estado. A comunidade internacional se mobilizou para preservar a democracia (sim, entre aspas) paraguaia, mas, por trás da suposta quartelada de Oviedo houve o transbordamento do sentimento de ódio recíproco.
Ódio principalmente por parte de Wasmosy, acusado de corrupção por Oviedo. O general, então comandante do Primeiro Exército - a força mais importante do país -, acusou o presidente de participar, através de uma de suas empresas, a Ecomipa, do consórcio que construiria a segunda ponte entre Foz do Iguaçu e Ciudad del Leste. O caso foi para o Congresso, que comprovou o superfaturamento e interrompeu a negociata. Curiosamente, pouco tempo depois Wasmosy acusava Oviedo de estar se preparando para depô-lo.
O ódio entre os dois aprofundou a divisão dos colorados que, pela primeira vez em 50 anos, irão divididos para uma disputa presidencial, o que dará força e alento a seus adversários. As eleições estão marcadas para o ano que vem. Wasmosy garante que irá mobilizar a corrente colorada que lhe é fiel para minar a candidatura de Oviedo. Arga¤a, se perder na justiça, deverá fazer o mesmo.
A candidatura de Oviedo depende ainda de decisão judicial e, se for confirmada, o Paraguai estará mais próximo do que nunca de ter um presidente desvinculado do passado autoritário do país - o veterano Domingo Laíno, do Partido Liberal Radical Autêntico, ou quem for o ungido pelo Encontro Nacional, a mais recente força de oposição, que deverá indicar seu candidato à presidência neste final de semana.
Ceticismo





