Brasil On Line (José Antonio Pedriali)
A pesquisa em poder do Palácio do Planalto - publicada parcialmente na última edição da revista Veja - que dá 25% de intenções de voto para Álvaro Dias deixou o ex-governador e presidente da Telepar estimulado. Álvaro mantém ainda as portas abertas a todos os partidos que compõem a base de sustentação do governo FHC - o que inclui o PMDB de Roberto Requião e o PFL de Jaime Lerner.
Estímulo 2O centro de gravidade da política brasileira estará concentrado esta semana nas articulações dos partidos de oposição para a formação de uma frente única para disputar as eleições do ano que vem e nos movimentos do ex-ministro Ciro Gomes e do ex-presidente Itamar Franco que, na sexta-feira, deverá, enfim, filiar-se ao PMDB, primeiro passo para assumir uma candidatura - à Presidência ou, na pior das hipóteses, ao governo de Minas.
Líderes do PT, PCdoB, PDT, PPS e PSB agendaram um encontro para quinta-feira, em Brasília, onde, esperam, será dada a largada à candidatura única de oposição a Fernando Henrique Cardoso. Ou, muito provavelmente, sepultada de vez esta tese, já que duas cabeças disputam a coroa: Luís Inácio Lula da Silva e Ciro Gomes. E as diferenças entre ambos, abissais em termos ideológicos, esbarram ainda no choque de concepções sobre a melhor estratégia eleitoral para enfrentar FHC.
Lula, o eterno segundo colocado - nas duas últimas eleições e em todas as pesquisas de intenção de voto -, tem no momento maior cacife do que o ex-ministro da Fazenda, controla o mais articulado partido de oposição (apesar de todas as divergências internas) e, portanto, chama a si a responsabilidade de galvanizar as forças contrárias ao Planalto. Ciro é a mais recente estrela da política nacional depois de entrar em evidência nas duas últimas semanas, a contar do momento em que se declarou disposto a trocar o PSDB por outro partido que lhe permitisse voar em direção ao centro do poder da Esplanada dos Três Poderes. O ex-ministro, com seu discurso de defesa do Real com as necessárias correções de rota, já caiu nas graças do eleitorado de maior renda e melhor nível de escolaridade - o que lhe acena com um horizonte amplo, já que essas duas categorias sociais são as principais formadoras de opinião.
Enquanto os partidos de oposição estiverem se digladiando sobre a conveniência e factibilidade de uma candidatura única, Itamar estará correndo por fora e, apesar de seu estilo silencioso de agir, dividirá com Ciro Gomes as maiores atenções do Planalto. Pois, mais importante que a hipótese de Lula ser o ungido por toda a oposição para a missão (quase) impossível de defenestrar FHC do poder, serão os movimentos de Itamar e Ciro que decidirão os rumos da campanha eleitoral do ano que vem.
Se optar por concorrer ao Planalto - o que é improvável que seja consolidado nos próximos dias ou mesmo semanas -, Itamar fará estragos consideráveis na candidatura de FHC, pois, além do direito de invocar a paternidade do Real, o ex-presidente terá a liberdade para apontar e criticar os pontos vulneráveis da condução do plano, o que, certamente, será aplaudido por uma parcela considerável do eleitorado - principalmente das classes econômica e culturalmente mais elevadas.
Itamar e Ciro, que se reuniram ontem no Rio, disputam, portanto, a mesma fatia do eleitorado e se saírem cada um por si dificilmente terão chances de ameaçar a reeleição de FHC. Os inconfidentes, aos quais se somam Lula e todos os líderes da oposição, terão uma semana pródiga.Estímulo 1





