Brasil On Line (José Antonio Pedriali)
O presidente da Telepar e ex-governador do Paraná Álvaro Dias faz palestra amanhã, em Miami, sobre a telefonia brasileira. Álvaro participa da Conferência das Américas - Agenda 2000, promovida em conjunto pela Gazeta Mercantil e Miami Herald.
Na faixaO ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes deverá anunciar nos próximos dias seu desligamento do PSDB do presidente Fernando Henrique Cardoso e anunciar sua filiação ao PSB do governador de Pernambuco Miguel Arraes. Por mais que negue publicamente sua intenção de abandonar o transatlântico em que se transformou a sigla que abriga os tucanos históricos, Ciro concluiu as negociações com Arraes e depende, para formalizar sua mudança partidária, de alguns arranjos com seu patrono da vida pública, o governador do Ceará Tasso Jereissati.
Segundo reportagem da Folha de S. Paulo de ontem, a entrada de Ciro no PSB está exasperando os líderes petistas José Dirceu e Luís Inácio Lula da Silva, já que a intenção de Arraes não é apenas conquistar um político carismático para seu partido mas lançá-lo candidato à presidência da República. Tomando-se por corretas as informações do diário paulista, é compreensível a aflição dos petistas, principalmente de Lula: pois, uma vez lançada a candidatura de Ciro Gomes, os demais partidos de oposição, que estão à caça de um candidato único à sucessão de Fernando Henrique, terão, finalmente, encontrado seu homem.
A missão mais espinhosa de Ciro, uma vez concretizada sua mudança partidária, será justamente aplacar a ira petista e, numa etapa seguinte, cooptar Lula e os demais dirigentes do PT para sua causa. Ou seja, costurar um acordo com o PT, o maior partido de oposição, que lhe permita arrebatar de Lula essa ainda fictícia candidatura única. É aí que a porca torce o rabo.
Além de Arraes, o ex-ministro contará para esta tarefa com a mãozinha indispensável de Leonel Brizola, do PDT, e de Roberto Freire, do PPS, empenhados em lançar alguém que possa se contrapor, e quem sabe até ameaçar, o caudal eleitoral que Fernando Henrique pretende amealhar em 98. Lula, o mais popular dos líderes da oposição, sonha em disputar nova eleição presidencial mas tem contra si o fato de não ter renovado o discurso e, dois anos e meio após o início do governo FHC, foi incapaz de comandar a elaboração de um projeto alternativo de governo. Lula está desgastado.
E, nesse cenário, surge a figura jovial e equilibrada de Ciro Gomes, a ovelha negra do rebanho tucano que aponta seu dedo inquisidor para as chagas do governo FHC - o desemprego, o descuido com a área social, o déficit público etc. Ao contrário de Lula, Ciro tem apoios tanto na esquerda quanto no centro e até em setores da direita. Além do carisma e de outras virtudes - como o conhecimento profundo de economia, reforçado com um recente mestrado em Harvard - Ciro tem a seu favor duas experiências bem-sucedidas, como prefeito de Fortaleza e governador do Ceará e, trunfo dos trunfos, poderá, com toda a propriedade, reivindicar para si a paternidade do Real. Pois foi durante sua gestão no Ministério da Fazenda que o plano começou a ser esboçado.
Se, no final do longo e conturbado processo de indicação de um candidato único, as oposições se unirem em torno de Ciro Gomes (façanha das façanhas!) Fernando Henrique terá, enfim, o adversário que merece.
Em Miami





