Brasil On Line (José Antonio Pedriali)
Não será por falta de oportunidade que o ex-governador do Rio e presidente nacional do PDT Leonel Brizola deixará de participar das próximas eleições. O ex-prefeito de Porto Alegre Olívio Dutra (PT) propôs ontem que Brizola se lance candidato ao Senado pelo Rio Grande do Sul, encabeçando uma coligação da qual, além do PT e PDT, participaria também o PSB. Brizola ficou de pensar.
De voltaOs guerrilheiros do Exército Zapatista de Libertação Nacional, do México, iniciaram ontem uma caravana de 1.200 quilômetros, desde o local da irrupção de seu movimento - San Cristóbal de Las Casas, no estado sulino de Chiapas - até a capital do país, Cidade do México. Os guerrilheiros, que despontaram como que do nada, pouco mais de três anos atrás, se mobilizam pacificamente na tentativa de voltar a atrair a atenção da opinião pública internacional e, principalmente, cobrar o cumprimento do Acordo de San Andrés, o tratado de paz assinado no início do ano passado e jamais posto em prática pelo governo.
O esquecimento a que foram relegados pela opinião pública mexicana e internacional é compreensível: aqueles indígenas primitivos e românticos, com capuzes cobrindo-lhes os rostos e liderados por alguns professores universitários que nunca permitiram ter sua identidade revelada, que se puseram em pé de guerra contra um sistema tradicionalmente corrupto, controlado há mais de seis décadas pelo Partido Revolucionário Institucional (PRI), foram neutralizados por um adversário ainda mais poderoso que as tropas do Exército - o tempo. Pois nada melhor que o tempo para desmistificar um carisma, nada é mais eficaz que ele para corroer e abater os ânimos.
Quando surgiram, os rebeldes zapatistas foram saudados como um movimento robinhoodiano que poderia ressuscitar o ideal dos rebeldes latino-americanos dos anos 60, mas, pouco a pouco, eles se revelaram despojados da ideologia marxista que deu origem a um sem-número de movimentos guerrilheiros em todo o continente. O que realmente queriam os rebeldes de Chiapas? Apenas a melhoria da vida das populações indígenas que predominam naquele Estado e nos vizinhos Guerrero, Oaxaca, Michoacán e Puebla. Sua única ideologia é a sobrevivência com dignidade, essa coisa tão banal que cinco séculos de sucessivos regimes, revoluções, golpes de Estado e governos não foram capazes de satisfazer.
Ao revelarem seu desengajamento ideológico, os rebeldes de Chiapas perderam o fascínio que exerceram sobre movimentos, partidos e ONGs de todo o mundo. Se não eram de esquerda, se não estavam dispostos a liderar uma rebelião nacional que ameaçasse o governo para em seguida tomá-lo pela força de suas armas e se não estavam preparados, no plano imediato, para conturbar o cenário de prosperidade que se formava a partir da adesão do México ao tratado de livre comércio com os Estados Unidos e Canadá - o Nafta - para quê, então, esses partidos, movimentos e ONGs tão desinteressados continuariam a se preocupar e dar eco às ações daqueles indiozinhos incultos, pobres e cabeças-duras?
Os zapatistas, portanto, estão sozinhos - ou quase - em sua campanha em defesa dos eternamente esquecidos habitantes do sul do México. E, enquanto continuarem firmes em sua postura de isolamento em relação às organizações de esquerda mexicanas e de outros países e, acima de tudo, enquanto mantiverem suas armas silenciosas, continuarão esquecidos. E o esquecimento deles é o maior trunfo do governo mexicano.
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