Brasil On line (José Antonio Pedriali)
Os deputados federais terão uma semana de pouca movimentação. A pauta não prevê a votação de nenhum tema palpitante. Um dos assuntos mais polêmicos (!) deverá ser a discussão - e possível votação - de um projeto de lei que trata da apreensão de animais comercializados em rodovias.
AberturaO povo e a imprensa são testemunhas de que o governo tem sido tolerante e até leniente com os invasores... Se não houve erro de transcrição, pasmem!, esta declaração não é de nenhum dirigente da União Democrática Ruralista nem da Frente Nacional dos Produtores - é do próprio secretário de Segurança Pública do Paraná, Cândido Martins de Oliveira, feita a propósito da barbárie em que se transformou a ocupação de uma fazenda em Jundiaí do Sul, Norte do Estado.
O secretário reconhece, talvez inadvertidamente, o que todos estão carecas de saber, isto é, que o governo do sr. Jaime Lerner, de tanto contemporizar com as invasões de terra, evitando a todo o custo cumprir as ordens de reintegração de posse emitidas pela Justiça, permitiu, por inanição, a repetição de atos de vandalismo no campo. A troca de tiros, os sequestros, as torturas, a destruição de casas e veículos praticados em Jundiaí do Sul por um grupo de marginais que se intitula sem-terra, são sinais inequívocos da falência da política que o governo vem adotando em relação aos conflitos de terra.
Jundiaí do Sul, infelizmente, não é o único caso em que os sem-terra, ou seja lá quem são os que se fazem passar por eles, apelaram para a violência e a barbárie: em Tamarana, um grupo deles matou, diante das câmeras de TV, um segurança de uma fazenda; em Alvorada do Sul, os sem-terra expulsaram à força o arrendatário de uma fazenda (de 58 alqueires e em franca produção) e, diante da possibilidade de uma represália, incendiaram seu carro, perseguiram-no e mandaram a mensagem macabra de que desejavam sua cabeça.
É compreensível a cautela do governador em relação às ordens judiciais de desocupação - o cumprimento dessas ordens já se revelou desastroso em algumas ocasiões, com a eclosão da violência entre policiais militares e os sem-terra. Por isso, e para evitar o derramamento de sangue, o sr. Jaime Lerner optou pela negociação. Na região mais tensa do Estado, o Noroeste, o governo vem mediando um acordo entre o Incra e os sem-terra, que tem surtido algum resultado no varejo mas, no atacado, a situação continua tão ou mais explosiva quanto antes.
O episódio em Jundiaí do Sul pode marcar uma mudança radical na política do governo em relação ao conflitos de terra. A reunião que o governador, o secretário de Segurança e autoridades militares estão prevendo para hoje poderá ser decisiva. Para resgatar seu prestígio político, arranhado com a demonstração de fraqueza de seu governo em relação aos conflitos no campo, Lerner terá de definir uma ação vigorosa para inibir a repetição desses episódios lamentáveis.
A opinião pública brasileira, como já ficou demonstrado em pesquisas, é solidária aos sem-terra em sua mobilização pela reforma agrária, mas, ao mesmo tempo, condena o uso da violência para a conquista deste ideal. O governo do Estado, portanto, está diante de um grande desafio: contribuir para a reforma agrária, evitando, porém, que a barbárie se alastre e incendeie o campo.Relax





