Fidel Castro poderá assistir ao desfile das escolas de samba do Rio, no próximo Carnaval. O convite partirá da Grande Rio, de Duque de Caxias, que pretende homenagear o líder comunista Luís Carlos Prestes. Max Lopes, carnavalesco da Grande Rio, viajará a Cuba em novembro para formalizar o convite. A escola quer engrossar os seus sambistas com um batalhão de sandinistas e militantes sem-terra.
Sem tréguaFidel Castro está só. Em tempos de comoção mundial pela morte da princesa Diana, a opinião pública, há muito tempo indiferente à lenta mas inexorável agonia cubana, sequer deu a mínima atenção a uma notícia que, em outros tempos, provocaria alegria em uns e ódio em outros: Fidel apareceu há poucos dias em público para desmentir os rumores de que estava morto.
Cuba e seu líder absoluto não despertam a paixão e o ódio de antes. Quando muito, a curiosidade - como os atentados a hotéis -, mas em seguida voltam ao esquecimento, envoltos pela bruma da indiferença. O socialismo cubano não ameaça ninguém, não empolga ninguém.
O grande condutor desse socialismo, que não era visto desde 4 de abril, ressurgiu sabe-se lá de onde para devolver a confiança a seus súditos e desafiar seus detratores. Fidel voltou a brandir sua arma mais contundente, a oratória, contra seu maior inimigo, os Estados Unidos, personificação de todo o mal que, para ele, tem no capitalismo sua origem.
E lá estava Fidel, com seu uniforme verde-oliva viçoso, sob uma chuva fina, dedo em riste, gestos ameaçadores. A encenação foi ótima, o ator esforçou-se ao máximo mas não conseguiu deixar de transmitir a impressão de que o guerrilheiro de Sierra Maestra há muito sucumbiu, cedendo lugar a um velho, fiel, sim, às suas origens, às suas idéias, a seu estilo de vida - mas um velho.
Fidel Castro, e as fugazes imagens de televisão sobre sua aparição pública são um documento histórico deste momento, está emagrecido, tem a aparência cansada, a voz já não atinge o timbre que caracterizava seus discursos virulentos e dominadores. Seus gestos estão lentos, a pele profundamente vincada e seu porte perdeu a altivez de antes. Aos 71 anos recém-completados, Fidel Castro está sendo vencido pelo ocaso.
E neste ocaso, o velho guerrilheiro, que derrubou um governo corrupto e impôs um regime e um método de governo que encantaram ou revoltaram gerações, já não demonstra ter forças, e se as tiver dificilmente encontrará os meios de impedir a derrocada final. A economia cubana, eternamente frágil, sofre como nunca devido ao bloqueio norte-americano e, acima de tudo, em consequência da ruptura com o seu elo salvador, a finada União Soviética
O ministro da Economia, José Luis Rodríguez, prevê um ‘‘discreto’’ crescimento econômico este ano. É pouco, muito pouco para um país que durante décadas baseou sua economia na monocultura do açúcar e, apesar de ter introduzido outras culturas, vê sua produção agrícola decair ano a ano. Este ano, por exemplo, será 16% inferior a 1996. O açúcar perdeu a primazia para o turismo, mas ocupa o segundo lugar na pauta de exportações.
Os atentados contra hotéis visam, portanto, atingir a coluna vertebral da alquebrada economia de Cuba, que previa receber este ano de um milhão a 1,2 milhão de visitantes. Com a morte do turista italiano, vítima de um dos atentados de anteontem, possivelmente a Ilha passará por uma longa quarentena.
Fidel, o velho, terá de enfrentar mais este desafio.
Na passarela

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