Se ficar o bicho come, se correr o bicho pega. Este é o sentimento que está tomando conta do deputado federal Max Rosenmann. O deputado era do PDT, brigou com Lerner, foi para o PMDB, brigou com Requião e acabou no PSDB. E agora, o que será dele se Álvaro Dias concretizar uma aliança com Lerner?
‘Duela a quien duela’O secretário de Administração Geral de Londrina, Moysés Leônidas, gosta de repetir que a única coisa que não viu em política (e ele viu muita coisa...) foi boi voar. Pois esse fenômeno físico-bio-escatológico poderá consagrar mundialmente o Paraná caso se concretize a aliança eleitoral entre o PFL do recém-admitido governador Jaime Lerner e o PSDB do ex-governador e presidente da Telepar Álvaro Dias. A coligação dos dois partidos equivalerá, no terreno político, a uma demonstração de habilidade aérea de um bovino.
A primeira atitude de Lerner após assinar a filiação ao PFL foi cobrar o apoio de Fernando Henrique à sua reeleição e, em seguida, arremessar, com toda a gentileza - pois nosso governador, convenhamos, é gentil e elegante - um buquê de flores em direção a Álvaro Dias. E Álvaro, com a sutileza de um político de carreira que nem mesmo a recente condição de administrador de uma estatal de grande porte conseguiu embotar, corresponde ao aceno, deixando no ar um perfume de romance a ponto de se iniciar.
O boi ameaça levantar vôo? Vamos com calma.
Em primeiro lugar, a ferida causada pela recusa categórica e dramática do PSDB em aceitar a filiação de Lerner ainda está exposta, e por mais que os políticos disfarcem publicamente a dor, ela está latente. De ambos os lados. Lerner ainda se ressente do vexame público a que foi submetido. O PSDB não cicatrizou a chaga aberta com a iniciativa e insistência de alguns de seus quadros de proporem o impossível, a abertura do coração tucano para o governador, responsável, segundo eles, por todos os males que afligem a família paranaense.
Álvaro Dias sorri em resposta ao aceno de Lerner e, com isso, ganha tempo e neutraliza, na medida do possível, o apetite do governador em arregimentar para seu novo partido, ou para os demais que compõem a atual aliança, o maior número possível de prefeitos e deputados federais ou estaduais. Nenhum deputado tucano se bandeou por enquanto e, segundo uma fonte próxima da direção do PSDB, Lerner está exercendo uma ‘‘pressão irresistível’’.
Retribuindo à proposta de paz, Álvaro deixa aberta a porta do entendimento e estanca o quanto puder a sangria que Lerner quer impor ao PSDB. A propósito, o presidente da Telepar tem encontro marcado na semana que vem com Fernando Henrique, em Brasília. Nada mais natural que ele peça ao presidente que dê um chega pra lá em Lerner e no PFL: parem de invadir nosso território, senão invadiremos o seu! E tanto Álvaro como FHC terão nesta missão dois importantes aliados: Antônio Carlos e Luís Eduardo Magalhães, que efetivamente dão as cartas no PFL e não se sentem lá muito confortáveis com o pupilo do Palácio Iguaçu, conduzido ao partido pela ala pernambucana liderada pelo vice-presidente Marco Maciel.
Álvaro tem um complicador no âmbito interno do PSDB - a resolução do diretório estadual, tomada em 12 de junho, de lançar candidato próprio à sucessão estadual.
O boi, portanto, continuará por muito tempo com as quatro patas em terra firme.
Dilema atroz

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