gerador de dezenas de siglas minúsculas, mas continua como sempre foi - unido em torno de uma divisão profunda, visceral, sobre os caminhos a trilhar para dar a volta por cima e, finalmente, triunfar em âmbito nacional.
A vitória da tese da Articulação, corrente majoritária que tem em Luís Inácio Lula da Silva seu líder mais luminoso e que defende uma política de alianças com os partidos de oposição ao governo de Fernando Henrique, demonstra quão frágil é a preponderância desses ‘‘moderados’’ sobre os ‘‘radicais’’, aqueles indomáveis petistas que nossa imaginação associa a barbudos e mal-humorados, almas-gêmeas dos jacobinos que não aceitam a conciliação - apenas o confronto, por mais suicida que seja. O placar é revelador: os ‘‘moderados’’ venceram os ‘‘radicais’’ por 280 votos a 263.
Desde domingo, portanto, o PT está com os braços abertos em vez de os punhos fechados. Os ‘‘radicais’’ que se calem porque os ‘‘moderados’’ - além de Lula, José Dirceu, reeleito presidente, e o onipresente deputado federal José Genoino - é que estão com a bola da vez. Mas a sinuca em que o partido foi colocado exige a habilidade de um mestre como Ruy do Chapéu.
Contornar o bloqueio do Plano Real será a tacada do século, e este é o maior desafio para o partido, como reconhece o ex-prefeito de Porto Alegre Tarso Genro. O PT, diz ele, não pode repetir o erro de 1994, quando desdenhou as conquistas do Real e partiu para uma campanha de agressão a FHC. O PT, o maior partido de oposição, irá enfatizar a necessidade de uma moeda estável mas desmascarar a ‘‘farsa’’ em que se converteu o plano, que é apenas ‘‘uma medida monetária’’. Essa é, em linhas gerais, a linha-mestra da campanha petista e que irá pautar a elaboração de um programa alternativo de governo.
Sem um programa de governo, reconhecem os petistas, não será possível se apresentar como alternativa a FHC. E aí surge o grande desafio, maior até que costurar as alianças com todos os que estão fora ou queiram pular do barco neoliberal de Fernando Henrique: o tal programa de governo, entidade mítica que, uma vez assimilada pela opinião pública nacional, permitirá a vitória do partido e a salvação de milhões de órfãos da prosperidade negada pelos rigores do Plano Real.
O condutor desse processo será Lula, que admitiu, finalmente, concorrer à Presidência se, naturalmente, seus irmãos e camaradas assim o desejarem. Afinal, quem mais, além dele, poderia assumir missão tão nobre e espinhosa? Modéstia à parte, ninguém. Desta vez, pelo menos, ele não deverá ocupar a pole position

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