Brasil On Line (José Antonio Pedriali)
com Fernando Henrique, e se as eleições fossem hoje, amanhã ou no ano que vem, suas chances seriam mínimas, mas uma candidatura presidencial é uma importante conquista de terreno, um passaporte para nova ou novas tentativas e uma catapulta para um dos mais altos degraus da vida pública - o reconhecimento em nível nacional de um político.
Requião é, entre os três candidatos do PMDB à vaga em potencial (supondo-se, mais uma vez, que Itamar venha a se filiar ao partido) o mais desconhecido do público nacional, mas, em compensação, não tem os mesmos estigmas de seus rivais. Sarney é e continuará marcado por sua frouxidão e até aversão ao comando da política econômica e Itamar, o romântico, tem o reconhecimento público por sua preocupação pelas condições sociais da população, porém terá de lutar muito para neutralizar a imagem de governante indeciso, contraditório e mal-humorado.
O senador paranaense tem pressa. O prazo fatal para as filiações partidárias encerra-se dia 2 de outubro e, mantendo sua convenção para depois desta data e se optar por apoiar a candidatura à reeleição de FHC, o PMDB tira qualquer possibilidade de Requião disputar a Presidência por outra legenda. E Leonel Brizola, do PDT, apesar dos desmentidos do senador, está lhe soprando aos ouvidos: venha, companheiro, venha.
Grande vitóriaO senador Roberto Requião (PR) luta por uma causa praticamente perdida: convencer o PMDB a antecipar sua convenção nacional para 21 de setembro (ou até mesmo 17 de setembro), sob o pretexto de liberar seus membros a buscarem outra legenda caso o partido não aprove sua tese - endossada pelos rebeldes e históricos - de candidatura própria à sucessão de Fernando Henrique Cardoso. O lançamento de um candidato é um tema complexo em si, já que há dois pretendentes à vaga em potencial, o ex-presidente José Sarney e o próprio Requião, e um terceiro ainda sem legenda mas que deverá formalizar sua adesão ao partido possivelmente dia 29 do mês que vem, que é o ex-presidente e atual embaixador na OEA, Itamar Franco.
Além do natural desgaste interno provocado pela competição entre os três interessados (desde que Itamar realmente opte pelo PMDB), o lançamento da candidatura própria coloca o PMDB diante de seu eterno dilema, ainda não resolvido, inconcebível em qualquer país politicamente civilizado: ser governo sem, no entanto, apoiar o governo. Pois se optar por lançar um candidato para enfrentar nas urnas FHC, a partir do momento que tomar esta decisão o partido se colocará na contramão dos interesses do Planalto e, assim, ficará sem sustentação para continuar com as três Pastas que controla atualmente - de Assuntos Políticos, Justiça e o todo-poderoso Ministério dos Transportes. A maioria dos convencionais e os caciques do partido, incluindo o presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (SP), têm calafrios ao pensar nessa hipótese.
Requião corre contra o tempo, pois sabe que o tempo conspira contra a pretensão de dar o maior salto de sua vida, que é disputar a Presidência da República. No tête-à-tête





