O Paraná recebeu apenas 42,29% da compensação do ICMS que deveria recolher de bens e produtos primários exportados. A compensação foi prometida pelo governo federal para convencer os governadores a não se oporem à Lei Kandir. Nos 15 meses em que já vigora a lei, o Paraná, segundo levantamento do deputado Paulo Bernardo (PT-PR), deixou de faturar R$ 352,1 milhões e recebeu do governo federal R$ 148,9 milhões.
PressãoO ex-ministro Ciro Gomes quer atrair para si - e o quanto antes - o anseio das oposições ao governo Fernando Henrique de enfrentá-lo no ano que vem com um candidato único. É o que fica claro com a tomada de posição feita domingo pelo ex-ministro, que assumiu publicamente seu desejo de concorrer à Presidência caso um partido de orientação ‘‘social’’ e ‘‘democrata’’ o acolha e o transforme em seu candidato e das demais forças de oposição. Ciro está no PSDB e tem-se notabilizado pelas constantes críticas ao programa neoliberal de FHC, chamando a atenção, sobretudo, para o custo social do programa de estabilização econômica.
Ciro não está só nesta empreitada. A possibilidade de um candidato único das oposições, proposta que vem sendo costurada pelo PT, PDT, PCdoB e PSB, é o canto do cisne que fascina muitos políticos. As oposições têm elementos de sobra para saber que somente unidas teriam alguma chance de vencer FHC, e a pesquisa IstoÉ/Brasmarket, publicada neste final de semana, comprova o acerto da tese. Segundo a pesquisa, que ouviu mais de 16 mil pessoas em todas as capitais do país, se a eleição para a Presidência fosse hoje, FHC teria 43,6% dos votos e seu eventual opositor - desde que único - poderia faturar 38,9%. Dezessete por cento disseram não saber responder, o que dá uma folgada margem de manobra para os pretendentes.
A pesquisa IstoÉ/Brasmarket pode, portanto, ser comemorada tanto pelos estrategistas do Planalto quanto pelos das oposições. Ciro Gomes tem razão ao criticar o pesado custo social do Plano Real e o Planalto está alerta para esse flanco a descoberto, que deverá ser parcialmente (infinitamente menos que o necessário, diga-se) protegido com as 42 obras, com sua consequente geração de empregos, do ambicioso programa ‘‘Brasil em Ação’’.
Por paradoxal que pareça, a vantagem estratégica de FHC sobre seus adversários é que ele é um contra muitos, e estes muitos dificilmente conseguirão indicar um de seus pares para a missão (quase) impossível de vencer o presidente nas urnas. A situação das oposições é de evidente inferioridade, pois toda a iniciativa no terreno político tem partido de FHC, e elas somente conseguirão ocupar o centro do tabuleiro caso consigam provocar uma onda de comoção contra os rumos do Real e tenham alguém para galvanizar a indignação nacional.
Mas quem? Qualquer tentativa de união das oposições dependeria naturalmente do aval do PT, cujo líder Luís Inácio Lula da Silva debate-se entre sair candidato à Presidência ou ceder a vaga a Tarso Genro, ex-prefeito de Porto Alegre e estrela em ascensão no PT. O PT está em frangalhos e dependerá de uma candidatura própria à Presidência para evitar a implosão. Se as oposições desistirem do noivado com o PT, o que parece o mais provável, seja quem for seu candidato - Ciro Gomes, José Sarney, Itamar Franco ou mesmo Roberto Requião, que está ‘‘cevando’’ as bases do partido com um discurso nostálgico - estará perdendo votos preciosíssimos para Lula ou Genro. É tudo o que Fernando Henrique precisa.Calote?

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