O Planalto finge-se de morto ao atribuir ao Congresso toda e qualquer responsabilidade pela prorrogação da Contribuição Provisória de Movimentação Financeira (CPMF). Mas o governo trabalha nos bastidores para manter essa importante fonte de receita.
Cofre cheioO entrevero entre o Brasil e a Argentina, motivado pela pretensão brasileira de ocupar um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, tem pelo menos um fator positivo: os militares dos dois países estão quietos em seus quartéis, e assim deverão permanecer, pois não há clima para demonstrações de força em nenhum dos dois países. Aliás, em três países, porque o Chile pegou carona na crise, que se desenrola no estrito terreno diplomático, por se sentir ultrajado pela decisão dos Estados Unidos de considerarem a Argentina seu ‘‘aliado militar preferencial’’ no continente, o que permitirá aos argentinos a modernização de seu arsenal em condições vantajosas em relação aos demais países latino-americanos.
A decisão norte-americana poderá ter consequências graves no relacionamento com os chilenos, pois eles são muito mais vulneráveis ao reequipamento das Forças Armadas argentinas do que o Brasil. Chile e Argentina mantêm litígio fronteiriço secular e, em 1978, estiveram na iminência de pegar em armas para resolver suas diferenças. A guerra foi contida minutos antes de eclodir graças à intervenção do Vaticano. E hoje, dos três países, o Chile é o único em que os militares têm forte influência na vida política: o general Augusto Pinochet, que governou com punhos de aço de 1973 a 1989, continua no comando do Exército e o Exército, por sua vez, tem representantes civis no Congresso.
Os chilenos estão indignados, e seu chanceler Miguel Insulza não faz a menor questão de disfarçar este sentimento, porque mantêm com os Estados Unidos relações comerciais fortíssimas, são considerados pelo governo de Washington modelo econômico para todos os países emergentes, e acabavam de ser atendidos numa antiga reivindicação, a suspensão do veto americano à venda de armas daquele país para a Améria Latina. Os chilenos estão reequipando sua Força Aérea, que se ampara nos já obsoletos F-5, e abriram licitação internacional para a compra de 16 aviões de última geração. Se Washington mantivesse o veto, os fabricantes de aviões norte-americanos estariam naturalmente impedidos de comercializar com os chilenos e perderiam uma chance preciosíssima, já que cada aeronave custa em torno de 50 milhões de dólares.
As diferenças entre o Brasil e Argentina em torno do Conselho de Segurança terão de ser resolvidas este final de semana. Fernando Henrique Cardoso e Carlos Menem estarão em Assunção, onde os chefes de Estado dos 14 países integrantes do Grupo do Rio se encontrarão para analisar, entre outros temas, a ampliação dos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU. A pretensão brasileira, aliás, não tem como opositores apenas os argentinos. Os mexicanos, com o apoio dos Estados Unidos, trabalham na surdina para impedir que o Brasil consiga seu objetivo.
Para os Estados Unidos, a crise diplomática é de extrema utilidade: as atuais desavenças poderão abalar a harmonia do Mercosul, mercado jamais visto com simpatia por Washington por ameaçar a hegemonia econômica americana na região.Pilatos?

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