. Os argentinos querem a rotatividade, com possibilidade ilimitadaBrasil e Argentina estão em rota de colisão. Por enquanto, os dois países se confrontam no terreno diplomático, mas a crise provocada pela contrariedade, manifestada publicamente, do presidente argentino Carlos Menem de o Brasil vir a ocupar um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, pode vir a abalar, em caso extremo, as relações comerciais, com consequências nefastas para o Mercosul.
O maior ressentimento do governo brasileiro não é a posição contrária da Argentina e sim a manifestação pública de Menem. Que a Argentina trabalhava nos bastidores para impedir que o Brasil conseguisse o importante posto na ONU - o que deverá ser decidido no mês que vem - era de pleno conhecimento do Itamaraty. A oposição argentina era tão intensa que os dois países fizeram um pacto - o de silêncio - e um acordo: a Argentina calava-se e o Brasil se fingiria de morto em relação aos arranjos que aquele país vinha fazendo para se transformar em ‘‘sócio extra-Otan’’ dos Estados Unidos.
A Argentina acaba de conseguir o seu intento, ficando em posição privilegiada para adquirir armamentos norte-americanos. O Brasil, portanto, cumpriu a sua parte, embora, em termos militares e geopolíticos, estivesse em melhor condição de reivindicar a si tal privilégio.
Fernando Henrique Cardoso e Carlos Menem terão a oportunidade de esclarecer pessoalmente suas posições neste final de semana, em Assunção, Paraguai, onde ocorrerá mais um encontro de rotina dos presidentes do Grupo do Rio. O Grupo do Rio, criado em 1945, é um mecanismo permanente de consulta de vários países do continente e teve importante atuação para evitar ou solucionar conflitos regionais (a guerra entre o Peru e o Equador é o mais recente).
A posição argentina, agora tornada pública, não é propriamente contrária ao Brasil no Conselho de Segurança da ONU, mas sim à condição de permanente

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