Brasil On line (José Antonio Pedriali)
A Associação Comercial do Paraná está programando um auê daqueles para reforçar a campanha pela instalação em Curitiba do Tribunal Regional Federal. Senadores, deputados federais e estaduais, o governador Jaime Lerner e vários prefeitos foram convidados para um almoço, segunda-feira, em Curitiba. Prato principal: o tribunal, naturalmente.
Monte EverestAté o conselheiro Acácio, ou principalmente ele, admitiria: não será preciso esperar 1º de agosto do ano que vem, quando a campanha eleitoral terá início oficialmente, para ver o presidente Fernando Henrique - e outros governadores interessados em ficar onde estão por mais quatro anos - propalando as realizações de seu governo para cooptar os votos que necessitam para a realização de seu projeto político. A campanha pela sucessão de Fernando Henrique começou em janeiro, quando o Congresso aprovou a emenda da reeleição, e, simbolicamente, foi deflagrada anteontem quando o presidente recheou de pompa e circunstância o balanço público do primeiro ano do projeto Brasil em Ação.
O tom professoral, que lhe é tão peculiar, que Fernando Henrique adotou ao expor as realizações do Brasil em Ação não conseguiu se sobrepor ao estilo do presidente-candidato. Ele estava feliz como nunca e comemorava com seus assessores o adiantamento do calendário de algumas obras, que deverão estar concluídas antes do prazo previsto. O Brasil em Ação é um conjunto de 42 obras ou programas de grande porte, como, por exemplo, a duplicação das rodovias Fernão Dias e a BR-101, entre São Paulo e Florianópolis, a conclusão do porto de Sepetiba e da hidrelétrica de Xingó e, na área social, o programa TV Escola e a ampliação de linhas de crédito para a aquisição de casa própria destinadas à classe média.
O mais provinciano dos políticos sabe que a vitória eleitoral - e principalmente reeleitoral - depende de realizações concretas, visíveis, ostensivas. Fernando Henrique não tinha nada disso a apresentar quando concorreu, e venceu, pela primeira vez, mas as circunstâncias eram outras: o País iniciava o processo de estabilização econômica, comandada por ele quando ministro da Fazenda de Itamar Franco, e a grande meta da Nação, naquele momento, era expurgar definitivamente o fantasma da inflação. A grande obra de Fernando Henrique, pois, era impalpável e de seu sucesso dependia a retomada da economia, estagnada desde os anos 80, a década perdida.
Dois anos e meio após assumir a presidência, Fernando Henrique pode, de fato, comemorar o controle da inflação, mas outros indicadores - o nível de desemprego, o déficit em conta corrente, a taxa de crescimento aquém da desejada - lançam uma sombra sobre seu desempenho e podem se transformar numa bomba de efeito retardado que, ao ser detonada, imploda suas pretensões.
No campo político, no entanto, o caminho para a reeleição se assemelha no momento a uma alameda de árvores frondosas, sob cuja sombra Fernando Henrique desliza confortavelmente rumo à realização de seu sonho. A direita ou o centro não dispõem por enquanto de ninguém com chances de comprometer seriamente as pretensões do presidente e a esquerda se debate entre lançar ou não um candidato único. E, se um dia chegar a alguma conclusão sobre esse dilema, o mais cotado é Luís Inácio Lula da Silva. Que, pela terceira vez consecutiva, poderá estar participando de uma missão suicida.Tribunal e auê





