Brasil On line (José Antonio Pedriali)
em que Chicão se meteu macula o Congresso no momento em que os líderes da Câmara, a mais vulnerável a escândalos devido, sobretudo, ao grande número de seus membros - 513 - tentam deslanchar o programa Agenda Brasil, como o batizaram uns, ou Reage Câmara, como o chamam outros. E esse programa visa justamente resgatar a imagem do Congresso e torná-lo mais participativo em questões nacionais.
De escândalo em escândalo, porém, a imagem do Congresso se torna mais embotada. Para tirá-la do fundo do poço, onde se encontra atualmente, e fazê-la admirada e respeitada pela opinião pública, o Congresso terá de se livrar, para sempre, de tipos como Chicão Brígido. O corrupto da vez.Abre-alasNem bem se passaram três meses do escândalo da compra de votos para a aprovação da emenda da reeleição e as bases do Congresso tremem diante da revelação de que o deputado Chicão Brígido (PMDB-AC), que se licenciou do cargo até a semana passada para assumir uma secretaria estadual, alugou seu mandato para a suplente Adelaide Neri.
Chicão é um dos cinco envolvidos na compra de votos, embora sua participação no episódio só será comprovada, se o for, caso seu sigilo bancário seja quebrado e se constate, então, que o deputado recebeu os 200 mil reais que seu conterrâneo Ronivon Santiago - pivô do escândalo e que renunciou ao mandato de deputado federal depois de ter sido expulso do PFL - garante que recebeu. Para que suas contas sejam rastreadas, Chicão precisará perder o mandato, o que é muito provável que aconteça, pois é réu confesso da maracutaia do aluguel.
O que mais chama a atenção no novo escândalo envolvendo o Congresso é a cara-de-pau de Chicão em reconhecer o ato ilícito e a revelação pública da existência dessa prática. Denúncias e suspeitas de que deputados federais e estaduais ou mesmo vereadores negociaram ou negociam benefícios financeiros para ceder a vaga aos suplentes são corriqueiras. O reconhecimento, pelo próprio parlamentar denunciado, de que assim procedeu, poderá custar-lhe o mandato, mas, em contrapartida, terá o efeito benéfico de alertar a opinião pública de que em suas cidades ou nas capitais de seus Estados a prática, embora circunscrita a casos isolados, existe e deve ser coibida.
Além de alugar o mandato, cobrando, por exemplo, participação nos adicionais pela convocação extraordinária de julho, Chicão exigiu de sua suplente quase a metade da verba de representação, de R$ 20 mil mensais, destinada a pagar salários de funcionários e despesas do gabinete no Congresso. A cara-de-pau com que admitiu a prática no mínimo desonesta ficou demonstrada na entrevista que deu à Folha de S. Paulo de ontem. Disse o deputado, ao responder a pergunta se essa atitude não seria irregular: Não se trata de uma questão de regularidade. O problema é o seguinte: você tem responsabilidade com um mundo de gente.
O imbróglio





