Depois de se embrenhar pelos labirintos do Fundo de Estabilização Fiscal (FEF), de cuja comissão foi presidente, o deputado federal Luciano Pizzatto (PFL-PR) tem outro abacaxi a descascar. Pizzatto está relatando a lei de crime ambiental, em tramitação no Congresso há quase sete anos.
Abacaxi 2O Partido dos Trabalhadores (PT) acaba de sofrer uma grande baixa, a saída do governador do Espírito Santo, Antonio Buaiz. O fato só não causou a convulsão que costuma caracterizar rompimentos tão marcantes porque era mais do que esperado. Buaiz já vinha dando sinais cada vez mais aflitos de descontentamento em relação ao PT, que não lhe dava tréguas e impedia o avanço de seu programa de enxugamento da máquina e de privatizações.
A saída de Buaiz diminui, naturalmente, o poder de pressão do PT, que agora se limita a apenas um governador, Cristovam Buarque, do Distrito Federal. Para um partido que ameaçou, em duas ocasiões, conquistar a Presidência da República, perder um governador, às vésperas de um ano eleitoral decisivo, limita ainda mais seu poder de fogo e coincide com outra importante frente de batalha, desta vez interna: a consolidação do comando de José Dirceu, cuja liderança é necessária para assegurar a primazia, nas decisões estratégicas, da corrente da qual ele e Lula são representantes.
A liderança de Dirceu está sendo ameaçada pelos xiítas de tendências as mais ecléticas possíveis que sustentam a candidatura do deputado federal Milton Temer (SP). O confronto decisivo dos dois - e das correntes que eles simbolizam - está previsto para os dias 29, 30 e 31 deste mês, no Rio. Pesquisas de intenção de voto realizadas pelo PT entre os 500 delegados indica a vitória de José Dirceu, mas por uma quantidade pequena de votos. Se confirmadas as previsões, Dirceu vence mas não leva - isto é, sua vitória não será decisiva para silenciar por um longo período a ala radical do partido.
Em termos doutrinários, a distância entre as duas alas é abissal. Mas a diferença fundamental entre os ‘‘moderados’’ e os ‘‘radicais’’ do PT, em questões eleitorais, é em torno das alianças. Os primeiros defendem a união do partido com as demais forças de esquerda ou ‘‘progressistas’’, enquanto os segundos, puristas, não abrem mão de suas idéias, de suas estratégias e de seus metas, inviabilizando qualquer acordo com outra legenda.
Ora, para um partido com as dimensões históricas que adquiriu, apesar de sua curta existência, o momento, portanto, não poderia ser mais delicado. As eleições para a presidência, no ano que vem, revestem-se de um cunho plebiscitário e, para enfrentar o poderio de votos de Fernando Henrique Cardoso, a união do PT com os demais partidos de esquerda é mais que fundamental - é ferramenta de sobrevivência.
Arrebatar o cetro do presidente será um verdadeiro milagre, e só acontecerá se, além da ação des forças sobrenaturais rebeldes, Fernando Henriquer atrair para si, no momento decisivo, a ira de toda a Nação, em consequência sabe-se lá de que ou quais atitudes absurdamente antipopulares que vier a adotar. Esse cenário, por enquanto, só existe na cabeça dos oposicionistas mais paranóicos.
A união das esquerdas, assim, só será útil para que essa corrente mantenha ou conquiste ainda mais assentos no Congresso.Abacaxi 1

mockup