A declaração de guerra à guerra fiscal entre os Estados, feita pelo governo federal, ganhou um simpatizante no Paraná. O deputado federal Max Rosenmann (PMDB) diz que já era hora de dar um basta a este ‘‘engodo social’’, cujo preço é ‘‘alto demais’’.
Guerra à guerra 2Não há motivo para nos preocuparmos, pois o único dos generais-presidentes brasileiros ainda vivo, João Baptista Figueiredo, já nos mandou esquecê-lo ao se despedir do Palácio do Planalto, do qual saiu pela porta dos fundos, soltando ódio pelas ventas e fazendo um gesto pouco digno vindo de quem veio: dando uma ‘‘banana’’ ao passado. E a nós.
A volta ao poder, através do voto, do ex-ditador boliviano Hugo Banzer quebra uma liturgia e abre um precedente na tumultuada história do continente latino-americano. Pois, em todo o continente, nenhum general que tenha tomado o poder pela força, e pela força se mantido nele, conseguiu a façanha, nos últimos 50 anos, de voltar a vestir a faixa presidencial legitimamente. Abrindo parêntese: na Colômbia, durante o período conhecido como ‘‘La Violencia’’, de 1946 a 1962, o general Rojas Pinilla primeiro deu um golpe de Estado para, mais tarde, voltar ao poder pelas urnas. O contexto colombiano, no entanto, foi uma exceção à regra. Fecha parêntese.
Banzer faz parte da geração de generais que impôs, a ferro e fogo, sua marca registrada no continente, e pode ser inscrito na galeria dos mais truculentos, ao lado de Jorge Rafael Videla, da Argentina, e do já mitológico chileno Augusto Pinochet. Pinochet deixou a presidência mas continua o homem mais poderoso do Chile, na condição de comandante do Exército.
Nos sete anos em que Banzer ocupou a presidência boliviana (de 1971 a 1978), seu regime foi responsável pelo exílio de quase 20 mil pessoas e pela prisão, por motivos políticos, de aproximadamente 15 mil. Organizações de defesa dos direitos humanos contabilizam, naquele período, a morte, também por razões políticas, de mais de 200 pessoas.
Banzer, porém, mudou. Sua trajetória política, desde 78, comprova que o general renunciou aos métodos violentos de conquista do poder e assumiu um discurso apaziguador. Quando o neoliberalismo ainda não havia galgado as passarelas fashion, Banzer já o defendia, para se contrapor à corrente política majoritária em seu país, a social-democracia, mas eivava seu discurso com referências à necessidade de se atenuar o capitalismo para atender às necessidades sociais da população.
Banzer concorreu à presidência seis vezes e em duas foi vitorioso: em 1985, quando o todo-poderoso Movimento Nacionalista Revolucionário o impediu, bloqueando qualquer aliança com o Congresso e, portanto, deixando-o de fora (sim, na Bolívia isso é possível!), e agora. Em seu discurso de posse, Banzer foi fiel à sua linha programática, informando que a ênfase de seu governo será o social - a Bolívia continua o país mais pobre da América Latina -, embora venha a manter a política de estabilização iniciada há três administrações.
A volta de Banzer traz pelo menos uma lição: quando os programas de ajuste econômico são tão duros e prolongados, a paciência do eleitorado se esgota. E até ex-ditadores, que acenem com o bálsamo, têm chance de ocupar o poder.Guerra à guerra 1

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