Brasil On line (José Antonio Pedriali)
Não, nenhum parlamentar brasileiro que estava em missão no Líbano foi atingido pelos bombardeios que Israel lançou ontem no sul daquele país. Pois quando os caças-bombardeiros israelenses despejavam ódio e sangue sobre as bases de seus inimigos do Hezbolah, todos os seis deputados brasileiros já estavam sãos e salvos, em solo brasileiro onde cantam os sabiás.
InvejaEnfim, um pouco de bom senso: o senador Bernardo Cabral (PFL-AM), presidente da CPI dos Títulos Públicos e da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, reconhece que o fim melancólico dos trabalhos da comissão foi ruim para o Congresso e para mim. Para lembrar - e nunca é demais recordar - o relatório final preparado pelo senador Roberto Requião (PMDB-PR) foi substituído por outro, que poupava os políticos acusados de envolvimento, cumplicidade ou omissão em relação à corrente da felicidade que produziu lucros fabulosos com a venda dos precatórios.
O fim dos trabalhos da CPI, e a puxada de tapete dos membros da comissão no relator, não provocou a indignação popular que seria de se desejar. Mas a reação em cadeia - de desencanto com a classe política em geral e com os membros da comissão em particular - tomou conta da sociedade. A pizza, que todos tinham a certeza seria servida ao final dos trabalhos, foi enfim apresentada à sociedade desprovida de qualquer atrativo. Uma pizza de muzzarela morna e borrachosa teria sido mais palatável.
O reconhecimento por Bernardo Cabral de que o gran finale esteve mais para uma opera buffa que para La Traviata ou Carmen é pelo menos um indício de que nem tudo está podre no reino da Dinamarca. Mas é de pasmar. Primeiro, por ter ocorrido o que ocorreu. Segundo, por ter sido o reconhecimento de autoria do presidente da CPI que - ó mundo cruel! á- tirou o time de campo, para uma oportuna viagem à Europa, justamente quando os trabalhos estavam para se encerrar. Terceiro, porque ficou evidente como o Sol no deserto do Saara que os senadores agiram para favorecer seus colegas de partido implicados nas maracutaias.
O mea culpa é um sintoma positivo, temos de reconhecer, embora tenha sido tardio: de qualquer maneira, mesmo que o relatório original seja mantido, a imagem do Congresso ficará mais uma vez maculada. E ficará de fato maculada porque, por trás do arrependimento público do senador amazonense, há a preocupação dos demais membros da CPI que rejeitaram o relatório de Requião de que venham a ser desmascarados pela Justiça.
E isto porque o Ministério Público desconsiderou a manobra dos membros da CPI e, com base nas mesmas informações que levaram Requião a apontar o dedo para instituições financeiras e políticos, está realizando investigações paralelas e poderá chegar às mesmas conclusões do senador pelo Paraná.
Se a rejeição do relatório original foi ruim para o Congresso, para Bernardo Cabral e demais integrantes da CPI que participaram do conluio final, o único que está sendo beneficiado politicamente pelo episódio - e dele sairá ainda mais fortalecido caso haja uma guinada de 180 graus na posição do Senado - será obviamente Requião. Os holofotes dirigidos a ele, que foram se apagando um após outro no decorrer dos trabalhos da comissão, para serem desligados sem alarde no final melancólico da CPI, poderão voltar a focá-lo em plena carga. Para quem já se declarou candidato ao governo do Paraná, nada mais oportuno.Sãos e salvos





