Não, nenhum parlamentar brasileiro que estava em missão no Líbano foi atingido pelos bombardeios que Israel lançou ontem no sul daquele país. Pois quando os caças-bombardeiros israelenses despejavam ódio e sangue sobre as bases de seus inimigos do Hezbolah, todos os seis deputados brasileiros já estavam sãos e salvos, em solo brasileiro onde cantam os sabiás.
InvejaEnfim, um pouco de bom senso: o senador Bernardo Cabral (PFL-AM), presidente da CPI dos Títulos Públicos e da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, reconhece que o fim melancólico dos trabalhos da comissão foi ‘‘ruim para o Congresso e para mim’’. Para lembrar - e nunca é demais recordar - o relatório final preparado pelo senador Roberto Requião (PMDB-PR) foi substituído por outro, que poupava os políticos acusados de envolvimento, cumplicidade ou omissão em relação à ‘‘corrente da felicidade’’ que produziu lucros fabulosos com a venda dos precatórios.
O fim dos trabalhos da CPI, e a puxada de tapete dos membros da comissão no relator, não provocou a indignação popular que seria de se desejar. Mas a reação em cadeia - de desencanto com a classe política em geral e com os membros da comissão em particular - tomou conta da sociedade. A pizza, que todos tinham a certeza seria servida ao final dos trabalhos, foi enfim apresentada à sociedade desprovida de qualquer atrativo. Uma pizza de muzzarela morna e borrachosa teria sido mais palatável.
O reconhecimento por Bernardo Cabral de que o ‘‘gran finale’’ esteve mais para uma ‘‘opera buffa’’ que para ‘‘La Traviata’’ ou ‘‘Carmen’’ é pelo menos um indício de que nem tudo está podre no reino da Dinamarca. Mas é de pasmar. Primeiro, por ter ocorrido o que ocorreu. Segundo, por ter sido o reconhecimento de autoria do presidente da CPI que - ó mundo cruel! á- tirou o time de campo, para uma oportuna viagem à Europa, justamente quando os trabalhos estavam para se encerrar. Terceiro, porque ficou evidente como o Sol no deserto do Saara que os senadores agiram para favorecer seus colegas de partido implicados nas maracutaias.
O ‘‘mea culpa’’ é um sintoma positivo, temos de reconhecer, embora tenha sido tardio: de qualquer maneira, mesmo que o relatório original seja mantido, a imagem do Congresso ficará mais uma vez maculada. E ficará de fato maculada porque, por trás do arrependimento público do senador amazonense, há a preocupação dos demais membros da CPI que rejeitaram o relatório de Requião de que venham a ser desmascarados pela Justiça.
E isto porque o Ministério Público desconsiderou a manobra dos membros da CPI e, com base nas mesmas informações que levaram Requião a apontar o dedo para instituições financeiras e políticos, está realizando investigações paralelas e poderá chegar às mesmas conclusões do senador pelo Paraná.
Se a rejeição do relatório original foi ‘‘ruim para o Congresso’’, para Bernardo Cabral e demais integrantes da CPI que participaram do conluio final, o único que está sendo beneficiado politicamente pelo episódio - e dele sairá ainda mais fortalecido caso haja uma guinada de 180 graus na posição do Senado - será obviamente Requião. Os holofotes dirigidos a ele, que foram se apagando um após outro no decorrer dos trabalhos da comissão, para serem desligados sem alarde no final melancólico da CPI, poderão voltar a focá-lo em plena carga. Para quem já se declarou candidato ao governo do Paraná, nada mais oportuno.Sãos e salvos

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