Brasil On Line (José Antonio Pedriali)
Os petistas estão enciumados: o ministro Sergio Motta não fez nenhum ataque a eles. Logo a eles que tanta dor de cabeça dão ao governo no Congresso.
Sem rumoAproveitando a temporada de vestibulares de inverno, propomos a seguinte questão: O que mais convulsionou a cúpula do poder nos últimos meses?
a) a marcha dos sem-terra até Brasília e o massacre de Eldorado dos Carajás
b) as denúncias de compra de votos durante a votação da emenda da reeleição
c) a queda nas bolsas de valores de São Paulo e Rio
d) o aumento do déficit na balança de pagamentos
e) a mobilização das polícias civil e militar
f) as declarações do ministro das Comunicações, Sérgio Motta
Não é preciso esperar a divulgação do gabarito. Nada provocou tanto barulho, tantas reuniões, tanto cochicho, tantos almoços, tantos telefonemas, tanto diz-que-diz, tanto desmentido e tanta apreensão do que as declarações de Sergio Motta em entrevista à revista Veja.
Motta provocou um terremoto no Planalto Central apenas com alguns movimentos de língua. Nem o Super-Homem seria capaz de tamanha façanha!
E a maior reviravolta do caso, pasmem, seguiu o processo oposto ao dos terremotos: primeiro, o grande tremor, arrasador; depois, as réplicas, perigosíssimas, mas de intensidade menor, cada vez menor. No caso de Motta, o que se manifestou primeiro foram as réplicas - a movimentação dos políticos e partidos citados (e criticados) após a divulgação da já histórica entrevista e, em seguida, o voto de silêncio imposto ao ministro falastrão pelo presidente Fernando Henrique. Na etapa seguinte, terceira réplica, o amém dos partidos e políticos à reprimenda do presidente a seu amigo do peito. E tudo parecia calmo quando, eis que de repente, o estrondo, o grande tremor, o caos: o líder do governo na Câmara, Luis Eduardo Magalhães (PFL-BA), vai ao presidente e renuncia ao cargo.
Como entender o surpreendente ato de Luis Eduardo, avalizado, naturalmente, por seu pai e por toda a cúpula do PFL? O partido estava magoado não só com Sergio Motta mas também com o presidente e os líderes do PSDB, que se haviam solidarizado com o ministro durante um almoço privado. E essa mágoa, aliada à premente necessidade de reformas, pedra-de-toque do governo Fernando Henrique, deu aos pefelistas a grande chance: a chance de colocar o presidente contra a parede, ou de joelhos, e barganhar mais concessões em troca da permanência de Luis Eduardo no cargo e da continuidade do apoio do partido ao governo.
Ao atender prontamente Luis Eduardo, apelando para que ele permanecesse no cargo e acatando suas exigências para tal, Fernando Henrique revela a posição em que ficou diante do ataque pefelista - de joelhos.
Uma das frases de Sérgio Motta em sua entrevista encaixa-se com perfeição no episódio. Disse o ministro, referindo-se a Antonio Carlos Magalhães: ...esse é um mestre: sempre que pode, dá uma faturadinha. E ACM faturou mais uma vez. Desta vez, utilizando-se do filho.Ciúmes petistas





