A Câmara vota hoje o novo Código de Trânsito. Os deputados estão sendo bombardeados de todos os lados por pedidos de ajuste nas novas regras, que alguns setores consideram ‘‘draconianas demais’’.
Contramão 2O presidente do Peru, Alberto Fujimori, chegou aos píncaros da glória três meses atrás, com mais de 70% de aprovação, ao defenestrar, num lance espetacular - e extremamente violento - os guerrilheiros do movimento Tupac Amaru que ocupavam a embaixada do Japão em Lima. Nesta semana, Fujimori experimenta a maior rejeição desde o início de seu governo, há sete anos, com apenas 20% de aprovação.
O que está acontecendo com Fujimori e o Peru são emblemáticos para o Brasil. As semelhanças entre o Brasil e o Peru se limitam, por enquanto, ao cenário econômico, embora os mandatários dos dois países revelem, cada um à sua maneira, um apetite de leão para se manter no poder. Feitos os devidos descontos, deixando de lado as circunstâncias específicas dos dois países, Fujimori pôs em prática um plano de estabilização econômica que tem muitas semelhanças com o Plano Real.
O fortalecimento da moeda, a rigidez da política monetária, as altas taxas de juros frearam bruscamente a inflação já nos primeiros meses do governo Fujimori, e a confiança que seu plano econômico despertou interna e externamente lhe deu fôlego para exibir hoje números impressionantes. A inflação está sob controle (é de um dígito ao ano), os investimentos estrangeiros, principalmente do Japão, chegaram com profusão e tendem a se ampliar e o ritmo de crescimento, de 8% ao ano, é um dos maiores da América Latina. A dívida externa está sendo abatida no principal e o programa de privatização elevou as reservas cambiais a níveis históricos.
Então, onde foi que Fujimori errou? Eis a questão: passados sete anos do início do arrocho, a população ainda não se sentiu diretamente beneficiada. Isto é, as finanças do país vão bem, mas a economia particular dos peruanos vai de mal a pior, obrigado. Do grande empresário ao assalariado, dos camelôs aos funcionários públicos de todos os níveis, a sensação é a mesma: o presidente lhes deu as costas.
A impopularidade de Fujimori está ameaçando o mais ambicioso de seus planos - a reeleição... pela terceira vez. Da primeira vez, sua vitória foi mais que legítima; da segunda, questionável, já que tanto o Congresso como a Suprema Corte haviam sido renovados de acordo com os critérios do mandatário, depois de terem sido dissolvidos. E a possibilidade de uma terceira candidatura mais parece obra do realismo fantástico latino-americano, fruto de uma interpretação jurídica mais que questionável, vergonhosa.
Moral da história, e plageando o ministro Sérgio Motta, das Telecomunicações, que promete não mais meter o bedelho em ferida de ninguém: a estabilidade é fundamental para qualquer economia, mas enquanto ela não refletir no bolso do eleitor, e quanto mais tempo o eleitor passar com os bolsos vazios, mais ameaçado estará o governante. E isto poderá lhe custar a sentença de morte.Contramão 1

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