Brasil On Line (José Antonio Pedriali)
O presidente da Associação dos Municípios do Norte do Paraná (Amunop), José Carlos da Cruz, está enviando correspondência a todos os deputados federais do Paraná. Cruz pede que os deputados reconsiderem no segundo turno seus votos em relação ao Fundo de Estabilização Fiscal (FEF).
Alvo errado 2Os políticos, em sua maioria, são como crianças: quando repreendidos, se alvoroçam, embirram, batem os pés, choram. Os políticos, em sua maioria, precisam, como as crianças, de afagos, de cafunés, de carinho, de bilu-bilu-lá-tetéia. A recente entrevista do ministro Motta à revista Veja comprova que calo de político dói mais que nervo ciático infeccionado de qualquer outro cidadão. Motta falou, a República esbravejou, e esbravejou em todo o seu espectro político-partidário, pois o ministro, em sua habitual sinceridade, não poupou ninguém - de seus colegas ministros aos partidos aliados, especialmente os poderosos PFL e PMDB.
E está aí o principal defeito de Sérgio Motta, que tanta dor de cabeça já provocou (aparentemente) ao presidente Fernando Henrique: a sinceridade. A sinceridade é uma das virtudes que não convivem em harmonia com o exercício da política, já que a política é a arte da ocultação, das meias palavras, do ziguezague, enfim, um contínuo jogo de luzes e sombras, mais luzes que sombras, aliás.
E o que Motta falou que tanto barulho provocou? Falou que o dinheiro das privatizações deveria ser utilizado em obras de infra-estrutura e não para o pagamento de dívidas, que a negociação do governo com o Congresso e com governadores é uma necessidade, apesar de, em alguns casos, ser uma prática abominável, e que FHC errou ao nomear o novo diretor do DNER de Minas Gerais, Flávio Menicucci (uma vergonha, segundo Motta, referindo-se ao passado nebuloso do indicado).
O rosário das queixas do ministro vai dos mistérios gozosos aos dolorosos, alguns dolorosos demais para seus colegas de Ministério. Como, por exemplo, a queixa de que a escolha de dois peemedebistas - Eliseu Padilha, para os Transportes, e Iris Rezende, para a Justiça - chegou até a prejudicar o governo porque, a partir da nomeação deles, os votos dos deputados do PMDB em matérias de interesse do Planalto refluiram em relação ao período anterior às nomeações. E, ainda, Motta deu uma dura em Bresser Pereira, da Administração, que no período de votação da reforma administrativa na Câmara estava fora do país...
Está aí um desafio para o presidente, homem de reconhecido talento diplomático: contornar os rombos causados em sua frágil e camaleônica aliança de governo pelas insistentes manifestações de sinceridade de seu ministro das Comunicações. E, ao mesmo tempo, manter ao seu lado o amigo de tantas lutas, sócio e companheiro leal. Motta pode ser criticado por ser falastrão, por seus acessos de ira (como a que manifestou em relação ao governador do Paraná, Jaime Lerner), por atuar além de suas funções ministeriais. Só não pode, por enquanto, ser acusado de mentiroso.
Mas quem pode garantir que os arroubos de Sérgio Motta não expressam o fiel pensamento de Fernando Henrique que, na condição de presidente, tem de se comportar como figurante do teatro de sombras mas encarrega, nos bastidores, seu alter-ego de se dirigir à platéia e advertir: Senhores, não se espantem, isto é uma comédia!?Alvo errado 1





