Brasil On Line (José Antonio Pedriali)
Do deputado Paulo Bernardo (PT-PR), sobre a aprovação, em primeiro turno na Câmara, do Fundo de Estabilização Fiscal (FEF): Muitos deputados sabem que vão pagar um preço muito alto. Bernardo votou contra.
Satisfação 1A rebelião da Polícia Militar, iniciada dia 24 de junho em Belo Horizonte, alastrou-se pelo país como rastilho de pólvora, deixando os governos de vários Estados sem alternativa em matéria de segurança, a não ser o socorro das Forças Armadas. O movimento dos PMs, reforçado em muitos Estados pela Polícia Civil, demorou mas aconteceu: a corporação extravasou seu descontentamento com os baixos salários de seus membros e, em alguns locais, como Belo Horizonte e Maceió, mais recentemente, a disciplina e a hierarquia que caracterizam essa força militar cederam à indignação e à revolta. Em Belo Horizonte, o cabo Valério dos Santos Oliveira foi morto durante um protesto dos policiais.
O movimento dos PMs forçou no início da semana a intervenção - tímida, diga-se de passagem - do presidente Fernando Henrique, que, em encontro com o ministro da Justiça, Íris Rezende, propôs a abertura de uma linha de crédito subsidiado para a construção de casas para os soldados da Polícia Militar. A proposta do presidente não surtiu efeito, já que os PMs exigem que seus soldos sejam reajustados imediatamente. A convulsão que atinge toda a corporação fez acender a luz amarela na Câmara dos Deputados. O presidente da Casa, Michel Temer (PMDB-SP), convocou os líderes dos partidos para uma reunião ontem à tarde na esperança de encontrar uma solução para a crise.
O País possui mais de 360 mil policiais militares. O Distrito Federal é o que melhor paga o soldado em início de carreira (salário bruto de R$ 1.100). O Paraná ocupa o segundo lugar, e aqui o soldado recebe R$ 735. Esses dois Estados, no entanto, surgem como exceções de uma regra geral que estabelece remuneração aviltante para um policial militar. A média nacional dos salários dos soldados é de R$ 400, mas na Paraíba, o outro extremo na escala de soldos, eles recebem R$ 172.
A baixa remuneração dos policiais militares reflete a triste realidade dos Estados, onerados em excesso com sua folha de pagamentos, e também uma cultura que se impregnou no País desde o Império: o descaso da sociedade para com os agentes da lei e da ordem. E vice-versa. Nas sociedades mais avançadas da Europa, como a Grã-Bretanha e França por exemplo, o elo entre o cidadão comum e o policial é cultivado desde a infância. A criança é orientada ainda no berço sobre a importância social do policial, seja fardado seja a civil, e o policial, por sua vez, corresponde com sua dedicação e fidelidade a este reconhecimento. A primeira evidência do reconhecimento a um policial europeu é o seu salário, que não lhe permite a riqueza mas lhe garante uma vida confortável.
E os salários são justamente a maior carência dos policiais brasileiros, militares e civis. A linha divisora entre a lei e o crime é tênue, e ainda mais tênue para os que se dedicam a preservar a segurança da sociedade, pois seu contato com o mundo do crime é diário. Como, portanto, confiar na fidelidade de um agente se o que recebe por seus serviços é insuficiente para cobrir suas despesas mais elementares?Conta salgada





