Brasil On Line (José Antonio Pedriali)
O senador Roberto Requião (PMDB-PR) encontrará resistência de seus colegas para a aprovação de seu relatório sobre o escândalo dos precatórios. A maior resistência ao relatório de Requião (charge ao lado) virá de seu próprio partido. A CPI é composta de 13 senadores. Pelo menos três devem dar chabu na Hora H.
Da terraE de repente a Espanha despertou da letargia e resolveu dar um basta à violência de quase três décadas praticada pela organização separatista basca, o ETA. O assassinato do vereador Miguel Angel Blanco foi o estopim de uma onda de furor nacional que contagiou o país de norte a sul, passando por cima de divergências doutrinárias, étnicas e políticas. As ruas de Barcelona, capital da Catalunha, região historicamente arredia ao governo central, foram tomadas pela multidão. Madri foi o cenário do maior protesto popular desde 1981, quando a população se mobilizou contra a tentativa de golpe de Estado empreendida pelo coronel Tejero Molina. A indignação tomou conta até dos bascos que, envergonhados, se uniram à corrente nacional de protestos para exigir que o ETA deponhe as armas.
Para o ETA, em sua ensandecida luta pela independência do País Basco, o assassinato de Miguel Angel não poderia ter resultado mais trágico, no campo político como militar. Miguel Angel não foi apenas uma das aproximadamente 800 vítimas fatais da campanha terrorista da ETA iniciada há 29 anos. Miguel Angel se transformou num símbolo - o símbolo da inocência - e o ato do ETA num divisor de águas. Porque até o assassinato de Miguel Angel - obscuro vereador do Partido Popular (no poder) da minúscula Ermua, no País Basco, que se tornou célebre somente após sua morte - o ETA mantinha ainda alguma dignidade. Se é que se pode esperar dignidade em integrantes de uma organização terrorista.
Mas o assassinato a sangue frio de Miguel Angel, sequestrado para forçar o governo a transferir para prisões bascas todos os 450 membros da organização detidos pelas forças de segurança, foi, para os espanhóis, a gota dágua. Pois milhões de pessoas haviam lotado as ruas para pedir que o ETA não executasse sua sentença de morte.
O ETA não os ouviu. E, ao assassinar Miguel Angel, acabou executando sua própria sentença de morte. Com a opinião pública chocada, indignada e de luto pela morte de um inocente; com os partidos políticos, até os de oposição, dando plenos poderes para o primeiro-ministro José Maria Aznar em sua luta contra os terroristas; com a onda de indignação mundial que comoveu a Organização das Nações Unidas e a União Européia, o que podem esperar de agora em diante os separatistas? Nada, além de uma repressão implacável das forças de segurança espanholas e com o aval das organizações internacionais. - - -
Resistência





