Uma das condições para Jaime Lerner se filiar ao PFL é a garantia de que o presidente Fernando Henrique não subirá no palanque do adversário no ano que vem. Mesmo que esse adversário seja Álvaro Dias, tucano como o presidente. O PFL garante: se for isto, negócio fechado.
Condição 2A CPI dos Precatórios está chegando ao fim, oito meses depois de ter iniciado seus trabalhos, e seu relator, o senador Roberto Requião (PMDB-PR), ficará sem script para que continue sob o foco dos holofotes. Para o projeto eleitoral do senador, candidato declarado ao governo do Estado nas eleições do ano que vem, o fim da CPI não poderia ser mais prejudicial. Afastado da mídia, Requião abrirá espaço, o que poderá arruinar de vez seus planos, para seus dois principais adversários, o governador Jaime Lerner (PDT, futuro PFL), candidato natural à reeleição, e o ex-governador e atual presidente da Telepar, Álvaro Dias (PSDB).
Lerner aparece hoje em vantagem nas pesquisas de intenção de voto, mas sua base eleitoral, circunstância cruel para alguém que está há dois anos e meio no cargo de governador, continua sendo a Região Metropolitana de Curitiba e o Sul do Estado (embora nessa região seja mais difusa), principais beneficiários da anunciada vinda de montadoras de veículos.
O programa de interiorização do governo, iniciado timidamente há alguns meses, denuncia a preocupação de Lerner em relação a este fato: o interior ainda não assimilou seu governo. E não assimilou porque, até o momento, os principais projetos apresentados durante a campanha eleitoral continuam tal como estavam há dois anos e meio - como projetos. E a única maneira de o governador fincar pé definitivamente nessas regiões será através da realização de obras.
E este é o calcanhar-de-aquiles da atual administração: a falta de obras no interior, que o governo prometeu realizá-las, quer realizá-las, mas não dispõe de recursos para torná-las realidade. A situação de caixa do governo é desconfortável, a folha de pagamentos absorve praticamente toda a receita, os programas de investimentos financiados por entidades internacionais estão bloqueados no Senado e os que já liberados não podem ser aplicados porque o Estado não dispõe da necessária contrapartida para recebê-los.
O tempo conspira contra os planos de Lerner e favorece os de Álvaro Dias. Porque, quanto mais tempo passar e menos obras Lerner realizar, mais munição Álvaro terá em seu arsenal. No ano que vem, portanto, poderemos assistir ao confronto entre os dois principais protagonistas das últimas eleições estaduais. Álvaro se apresentará para a revanche com o ímpeto do derrotado que tem a oportunidade de enfrentar novamente o adversário, e vencê-lo será uma questão de honra. E Lerner se apresentará para a luta, caso seu governo se mantenha no ritmo atual, com uma parte da torcida exigindo que vá a nocaute logo no primeiro round. Com ou sem orelha.Condição 1

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