Brasil On Line (José Antonio Pedriali)
Vinte e um deputados do Paraná votaram pelo fim da estabilidade do servidor público, oito contra e um se absteve. O que não disse nem sim nem não foi Max Rosenmann (PSDB).
A favorNão é necessário recorrer à sociologia e muito menos à psiquiatria para entender por que um grupo de servidores públicos entrou em transe psicótico terça-feira, ao forçar a entrada na Câmara dos Deputados. Perder privilégios pode, realmente, transtornar a mente e ofuscar a razão. O conciliábulo pugilístico daquele grupo de servidores com os seguranças da Câmara não poderia ser mais revelador do estado de espírito que tomou conta de uma parcela representativa da sociedade brasileira. Os barnabés estão em pé de guerra contra o governo federal que lhes passou uma rasteira e os deixou sem um dos principais incentivos da condição de servidor público: a estabilidade ampla, geral e irrestrita.
O raciocínio exposto no parágrafo acima poderá roubar um sorriso de satisfação do leitor que, como a maioria avassaladora da população brasileira, tem de enfrentar diariamente todos os riscos do mercado, seja na condição de assalariado, seja como empresário. E, quando não tiver mais forças para continuar trabalhando, conquistar, depois de vencer uma batalha burocrática infindável, uma mísera aposentadoria que, na melhor das hipóteses, será equivalente a dez salários mínimos.
Mas façamos justiça: os servidores públicos são privilegiados? Sim e não. Se considerarmos a estabilidade e a aposentadoria integral como privilégios, não há como negar. Mas na grande maioria dos casos, pobre dos barnabés: recebem salários ínfimos e, quanto aos professores, têm de se submeter a uma carga de trabalho de dar pena até a um pária indiano! Essa grande massa de servidores acaba sendo responsabilizada por todas as mazelas atribuídas a uma classe que, desde a Colônia, usufrui das delícias da proximidade com o Poder.
A batalha desenvolvida pelos servidores contra a quebra da estabilidade não encontrou receptividade na opinião pública. Ou melhor, lançou a opinião pública, por mais difusa que seja essa opinião, a favor do governo. Pois a imagem do servidor, infelizmente, não poderia ser pior. O cidadão comum, principalmente aqueles (milhões) que já se submeteram a uma fila de repartição pública, associa o servidor público ao preguiçoso, ao egoísta, ao aproveitador...
Os servidores públicos perderam essa batalha. E podem considerar a derrota como definitiva já que, no segundo turno de votação na Câmara, não se espera que o resultado possa ser revertido. O governo poderá, enfim, exigir de Estados e municípios que compatibilizem suas receitas com as volumosas folhas de pagamentos. Acabou, finalmente, o pretexto de governadores e prefeitos de não cortarem funcionários e aplicarem recursos em obras. Os efeitos do fim da estabilidade vão exigir ainda algum tempo para serem sentidos. Mas seu efeito moralizador fará, enfim, justiça: todos seremos iguais perante a lei do mercado.Balanço geral





