O deputado federal Max Rosenmann anunciou terça-feira à noite, durante reunião da bancada do Paraná, em Brasília, que já assinou sua ficha no PSDB. Rosenmann estava no PMDB.
Primeira missãoE os tucanos estão em crise, quem diria! Apesar de terem a Presidência da República, sete governadores - três deles em Estados-chave - e a terceira maior bancada no Congresso, eles ainda estão insatisfeitos. Estão com ciúmes, e ciúmes doentio de sua maior estrela, o presidente Fernando Henrique Cardoso, que reúne todos os elementos, pelo menos por enquanto, para ser reeleito no ano que vem. Mas, ironia das ironias, o presidente que tanto lhes deve por seu apoio incondicional, por suas horas de insônia, por seus finais de semana arruinados por reuniões e articulações para que, enfim, a emenda da reeleição tivesse a vitória que teve no Congresso, esse mesmo presidente, ingrato, está lhes virando as costas. E justamente agora, vésperas de um ano eleitoral tão disputadíssimo como será 98, quando, além da presidência, estarão sendo abertas vagas para governadores, senadores, deputados federais e estaduais.
No fundo, no fundo, os tucanos têm razão. Por que cargas d‘água, afinal, estariam sendo tratados com tanto desdém por FHC sem que, da parte deles, exista motivo tão forte que justifique as escapadelas do presidente com outros líderes aliados? Por que o PSDB, reclamam os tucanos, está sendo posto de lado, deixado em casa cuidando dos filhos, lavando e passando a roupa, enquanto o chefe da família aparece em público, ou se reúne em locais secretos - mas cujo segredo não dura mais que uma noite - com as rivais ou com as aparentemente melhores amigas da esposa dedicada e fiel?
A festa promovida pelo partido na noite de segunda-feira, em Brasília, para comemorar o nono aniversário de criação da legenda, não conseguiu acalmar os ânimos. FHC discursou, e como sempre falou bonito, agradeceu o apoio do partido, achou mais que natural que o PSDB o queira como candidato à reeleição. Mas o atraso estratégico do governador de São Paulo, Mário Covas, revelou a distância, a mágoa, o ressentimento que algumas lideranças históricas do partido estão nutrindo em relação ao presidente.
Pois, como perdoar FHC se ele acena para um acordo em São Paulo com Paulo Maluf, adversário de Covas; no Rio com César Maia, inimigo de Marcelo Alencar; e, ainda por cima, deixa o governador de Minas, Eduardo Azeredo, entregue ao caos policial-administrativo e, nas sombras, articula o lançamento da candidatura do ex-presidente Itamar Franco ao governo do Estado?
É natural que Fernando Henrique amplie e consolide desde já as alianças para realizar seu projeto (re)eleitoral. PMDB, PFL e PPB são fundamentais e até indispensáveis para que ele se imponha nas urnas mais uma vez. O descontentamento dos tucanos, porém, poderá lhe custar alguns dissabores: o projeto político de FHC depende da aprovação das reformas estruturais, e os tucanos, caso a rebelião tome conta de suas bases, poderão pôr tudo a perder.Novo no ninho

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