O movimento Reage Câmara, que busca uma fórmula para melhorar a imagem da Casa, fez sua primeira reunião ontem à noite na residência de Israel Pinheiro Filho. As portas estavam abertas a todos os partidos. Detalhe: somente seriam servidos pratos da culinária mineira.
Mau exemploA CPI dos Precatórios tem, até o momento, o mérito de tornar público o labirinto sinuoso da emissão irregular de títulos públicos por governadores e prefeitos e de rastrear com eficiência o que o senador Roberto Requião (PMDB-PR), relator da comissão, batizou apropriadamente de ‘‘corrente da felicidade’’ - a relação promíscua entre funcionários públicos, corretoras e doleiros para a compra subfaturada dos títulos e seu repasse superfaturado a alguns bancos.
Na área política, porém, a CPI tem revelado algumas ironias, que, só para citar as mais importantes, são as seguintes:
1. O governador mais pressionado até o momento é o de Santa Catarina, Paulo Afonso Vieira. Pois bem, Paulo Afonso é do PMDB, o mesmo partido do senador Roberto Requião. Sejam quais forem os resultados do processo de impeachment aberto na segunda-feira pela Assembléia Legislativa de Santa Catarina, o PMDB sai enfraquecido do episódio, facilitando a retomada do poder por seus principais adversários no Estado, o PFL do embaixador em Portugal, Jorge Bornhausen, e o PPB do senador Espiridião Amin.
2. O senador Espiridião Amin, na ânsia de abalar o poder de seu adversário em Santa Catarina, Paulo Afonso, forneceu elementos preciosos para que a comissão colocasse no banco dos réus o prefeito de São Paulo, Celso Pitta. Com a denúncia do envolvimento de Pitta, que na época da emissão irregular dos títulos era secretário das Finanças da prefeitura paulistana, nada mais natural do que apontar o dedo em riste para o prefeito da época, Paulo Maluf - justamente a maior autoridade do PPB, partido do senador Amin.
Moral da história: está custando caro para os partidos a que pertencem alguns integrantes da CPI o apetite desmesurado desses integrantes pela fama que os holofotes da mídia lhes têm proporcionado. E esses mesmos integrantes, que agem com compreensível interesse pelo processo eleitoral do próximo ano, correm o risco de acabar esquecidos pelo eleitorado já que, até que os votos sejam depositados nas urnas, os resultados da CPI poderão ser neutralizados pelo tempo.
- - -Reage Câmara

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