Brasil On line (José Antonio Pediali)
O PT do Paraná debate-se entre lançar ou não candidato próprio à sucessão do governador Jaime Lerner. A possibilidade de alianças torna-se cada vez mais remota. Se lançar candidato, quem se disporá a subir ao patíbulo?
Tirando o corpoTrinta anos após a morte de Che Guevara, a esquerda latino-americana, através de sua musa do momento, o recém-eleito prefeito da Cidade do México, Cuauhtémoc Cárdenas, proclama o óbvio: Vamos transformar os países (da América Latina) pela via pacífica. O brado de guerra, do próprio Cárdenas, foi relançado no final de semana em Porto Alegre, onde se realizou o 7º Foro de São Paulo, que reuniu representantes de 58 partidos de 20 países latino-americanos. Relançado porque a via pacífica foi a palavra-de-ordem da esquerda latino-americana nos anos 70, quando, por fim, conseguiu eleger no Chile o presidente Salvador Allende.
As conclusões do encontro não poderiam ser mais melancólicas para esta corrente ideológica que já andava sem rumo em 1989 e perdeu totalmente a linha do horizonte após a queda do Muro de Berlim e a implosão da União Soviética. O documento oficial do encontro, no qual só depois de muita discussão se incluiu uma fugaz e tímida referência ao socialismo, é um primor de lucidez programática: propõe, como caminho para escorraçar o neoliberalismo de terras cucarachas, a invocação e exploração do... nacionalismo.
Os generais e coronéis e capitães e sargentos que se sucederam nos governos do Continente durante quase três décadas - dos anos 60 até o final dos anos 80 - devem estar rindo, e não é à toa. Pois foi justamente a bandeira do nacionalismo que eles empunharam para se contrapor à internacionalização do socialismo, como pretendia a então União Soviética em seu programa de globalização ideológica, e também para preservar a indústria e a economia do Continente contra a competição dos países ricos. E agora, quando esses generais e coronéis e capitães e sargentos estão fora de cena, a mesma bandeira troca de mãos e passa a ser cultuada por seus adversários do passado.
Ironias à parte, a esquerda latino-americana - e também de outros continentes - debate-se no labirinto a que foi lançada após a falência econômica e política dos vetustos países do Leste Europeu. O socialismo, a teoria política mais bem estruturada da história da humanidade, revelou-se um fracasso na prática. E o capitalismo, que aqui nos trópicos se autodenominou neoliberalismo, se impôs com tamanha virulência e majestade, espalhando seus tentáculos a todo o corpo social, econômico e político de todos os quadrantes do planeta que inspirou o cientista político norte-americano de origem japonesa a lançar o brado profético de que a História terminou. E terminou (será?) por que não é possível vislumbrar no horizonte outra fórmula de organização social e econômica que se contraponha ao capitalismo.
A esquerda, que no início do século despontou como a esperança dos pobres e desvalidos de todo o planeta, chega ao final dos anos 90 combalida e desnorteada. Mas o ano 2000 está batendo às nossas portas e a esquerda - do nosso PT à Frente ampla do Uruguai, Partido Socialista Chileno, Partido da Revolução Democrática do México - terá todo um milênio para tentar desmentir a teoria de Fukuyama.Patíbulo





