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A frentona naufragou. Esta é a avaliação do deputado federal Paulo Bernardo (PT-PR) depois que o diretório estadual do PT registrou ontem o interesse de duas pessoas em participar das prévias que escolherão o candidato do partido para disputar o Palácio Iguaçu. Os candidatos são a professora Milena Martinez, da Universidade Federal do Paraná, e o deputado federal Nedson Micheletti. Os dois recusam-se a qualquer entendimento com o PSDB de Álvaro Dias, como propunham Pedro Tonelli, presidente estadual do partido, e o ex-prefeito de Londrina Luiz Eduardo Cheida.
Tonelli e Cheida, aliás, travaram uma batalha solitária para convencer as bases do partido a aderirem a uma eventual coligação liderada por Álvaro Dias. Cheida sequer inscreveu-se para disputar as prévias, pois havia imposto como condição para assumir a candidatura do partido - no caso de o PT decidir-se por ter candidato - que houvesse consenso em torno de seu nome. O ex-prefeito de Londrina está, portanto, fora do páreo, restando-lhe como opção para retornar à vida pública uma vaga na Câmara Federal ou Assembléia Legislativa.
Ao forçarem um entendimento com Álvaro Dias, Tonelli e Cheida empreenderam uma manobra ousada. E a ousadia foi justamente, em nome de uma frente comum que reunisse condições de derrotar o governador Jaime Lerner, buscar a aproximação com um inimigo do passado que, por força das circunstâncias, é amigo e aliado atual de um inimigo ainda mais perigoso que, para os petistas, é o presidente Fernando Henrique. Como poderia o tão ortodoxo PT aliar-se em nível estadual ao PSDB que combateria, através de Lula ou seja quem for seu candidato, em nível federal?
Para Álvaro Dias, que necessita do maior número possível de combatentes ao seu lado, a decisão do PT - e nisto tem razão Paulo Bernardo - abre um grave precedente e, se não inviabiliza de todo a formação de uma frentona, criará condições para, na melhor das hipóteses, assistirmos no frigir dos ovos à consolidação de uma frentinha. Mas, na realidade, Álvaro nunca chegou a acreditar que a adesão do PT a seu projeto político fosse favas contadas. Mesmo que a direção do partido desse aval à sua candidatura, de que adiantaria, se a famosa militância - principal instrumento de articulação e ação do partido - estava desde o início arredia, para não dizer hostil, à idéia?
A formalização de duas pré-candidaturas não impede, porém, que o PT venha a se coligar, na eventualidade de Roberto Requião (PMDB) lançar-se à disputa pelo Iguaçu. Se as prévias endossarem a candidatura da professora Milena - reconhecida pela habilidade em expor e debater suas idéias - qualquer esperança que Requião possa nutrir quanto ao apoio do PT estará engavetada. Micheletti é um ardente defensor da candidatura própria, que ele considera indispensável para consolidar e de preferência aumentar o número de deputados estaduais e federais do partido. Mas, conforme o andar da carruagem, e caso seja ele o ungido, Micheletti poderá aceitar os acenos de Requião, levando consigo os ardorosos militantes.





