Brasil On Line - José Antonio Pedriali
De Paulo Bernardo (PT-PR), sobre a redução no Orçamento Geral da União dos investimentos destinados ao Paraná: Lerner foi para o PFL mas continua sendo tratado como se fosse do PDT, a pão e água. Dos 273 milhões de reais previstos para receber este ano, o Paraná irá receber 35% a menos no ano que vem - R$ 179 milhões.
Platéia cheiaMário Covas faz biquinho, bate o pé, desafia vento e maré e diz que não vê a hora de ir para casa assim que terminar seu mandato de governador de São Paulo. E o presidente Fernando Henrique, emocionado com o drama pessoal do amigo (ou ex?), ordena a seus súditos que o procurem, que o mimem, que o aconselhem a tentar mais quatro anos de mandato.
E Ciro Gomes já ganha o apelido de El Ni¤o por causa da convulsão política provocada pelo convite a trocar o ninho tucano pelo desconforto do PSB, ganhando, como compensação, a vaga para disputar a Presidência da República.
E Itamar Franco, no silêncio de sua embaixada em Washington junto à Organização dos Estados Americanos, conta os dias - estamos, afinal, em 17 de setembro - para decidir-se por um partido e, assim, concorrer a algum cargo público, de preferência a Presidência; se não der, vá lá o governo de Minas.
E José Sarney que... e Roberto Requião que... e Paulo Salim Maluf que também...
A 12 meses e meio das eleições e faltando ainda 15 meses e meio para o presidente Fernando Henrique Cardoso entregar o cargo a seu sucessor - provavelmente o próprio Fernando Henrique Cardoso - assistimos a um fenômeno. O fenômeno de o governo FHC ser ofuscado pela tempestade de areia formada pelas articulações, especulações, avanços e recuos dos partidos que já detonaram, muito antes do esperado e do desejado, a campanha pela sucessão presidencial e dos governos estaduais.
Eleição é parte essencial da democracia, mas precipitar o processo sucessório neste momento só vem a contribuir para afastar da opinião pública os grandes temas nacionais ou mesmo estaduais que exigem solução imediata ou pelo menos o encaminhamento desta solução. Quanto mais se especula sobre quem será candidato a que, sobre quem renunciará a uma candidatura, sobre quem terá o apoio ou a oposição de quem, os problemas estruturais brasileiros continuarão na prateleira do esquecimento.
O presidente Fernando Henrique venceu as eleições baseado numa plataforma de governo que, além da estabilização da moeda, iniciada por seu antecessor Itamar Franco, previa a retomada do crescimento econômico, maiores investimentos na área social e a aplicação de reformas essenciais à sobrevivência do Estado, com reflexos em todo o corpo social e produtivo da Nação. A moeda vai bem, obrigado, mas o crescimento econômico deixa a desejar e as reformas estão estagnadas no Congresso e as contas públicas inflam-se perigosamente.
Enquanto o circo se arma, os figurantes aperfeiçoam seus números e os carros de som convocam o estimado público a comparecer ao espetáculo, nossos governantes interessados na reeleição se refugiam atrás da cortiça de fumaça. E lá, a uma distância confortável da crítica e das atenções, esperam o momento ideal para ressurgir do esquecimento e, sob o efeito pirotécnico das luzes e do ribombar dos bumbos e do troar das tubas, anunciar ao prezado, estimado, amadíssimo público: Ói nóis aqui otra vez!
A pão e água





