Brasil On Line - José Antonio Pedriali
O que Lula tem em comum com a economista Maria da Conceição Tavares? Muitas coisas: ambos vêem o mundo em eterna crise, não poupam o governo, seja qual for, e, agora, estão ainda mais próximos. Basta uma leve oportunidade e se desmancham em lágrimas. Lula já chorou publicamente três vezes desde que as denúncias contra a Cpem foram desengavetadas.
GafeAlém de duas derrotas na condução do processo de votação da reforma administrativa na Câmara, o governo enfrentará na semana que vem mais um desafio, a aprovação de seu pedido de prorrogação, por mais dois anos, do Fundo de Estabilização Fiscal (FEF). O fundo é essencial para o governo, pois lhe permite gastar - como quiser, sem dar satisfação a ninguém - mais de R$ 20 bilhões dos recursos previstos em Orçamento. Mas, para isto, Estados e municípios perdem uma parcela considerável de seus hoje parcos recursos, que ficam retidos em Brasília para a composição do FEF. Para os Estados, a perda se dilui na imensa massa financeira que manobram mês a mês, mas para os municípios, sobretudo os de médio e pequeno portes, essa perda é irrecuperável. E inadmissível. O relatório apresentado esta semana por Yeda Crusius (PSDB-RS) reconhece que os Estados e municípios não podem seguir sendo prejudicados. Mas, apesar de toda a expectativa criada com as declarações da relatora, o fundo de compensação sugerido por ela para amenizar a sangria pelo menos dos municípios não será aceito pela grande maioria dos deputados. Antes de apresentar seu relatório, Yeda acenava com a possibilidade de os municípios com até 150 mil habitantes serem ressarcidos integralmente. Mas, ao apresentar o relatório, a compensação baixou para aproximadamente 40% dos recursos engolidos pelo FEF. Os prefeitos já ensaiam uma ampla mobilização pela derrota da proposta de governo. E os deputados, sejam aliados, sejam de oposição, não vão querer correr o risco de se indispor com os prefeitos às vésperas de um ano eleitoral.
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