De que valeu o presidente Fernando Henrique ter nomeado dois ministros do PMDB se o partido continua se rebelando contra as propostas do governo? A nomeação de Íris Rezende para a Justiça e de Eliseu Padilha para os Transportes não ajudou em nada o governo no primeiro teste de seu novo líder na Câmara, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA). Os deputados do partido negaram chumbo no calor da batalha das votações da emenda de reforma administrativa.
Rumo a 98A campanha eleitoral de 98 para a sucessão do presidente Fernando Henrique Cardoso já começou. E começou no exato momento em que o Congresso promulgou a emenda da reeleição. O único candidato tido como certo, embora não declarado, é o próprio FHC, e isto até a velhinha de Taubaté está careca de saber. As oposições - e, afinal, quantas oposições o governo tem? - decidiram ontem, em reunião em Brasília, lançar candidato único. O líder histórico do PT, Luís Inácio Lula da Silva, chamou para si a responsabilidade de representar os opositores de FHC no embate do ano que vem. Lula está momentaneamente desgastado devido às denúncias de seu envolvimento com a empresa Cpem, mas o governo FHC também, embora nem tanto, como comprova a recente pesquisa Ibope sobre a perda de credibilidade do Plano Real. O recuo da popularidade do Real foi ironizado por FHC, mas dominou o encontro da cúpula tucana, realizado ontem. O encontro foi liderado pelo ministro Sérgio Motta, das Comunicações. Aécio Neves (MG), líder do partido na Câmara, resumiu a visão dos tucanos: o Real ainda dá respeitável poder de fogo a FHC mas, no ano que vem, o presidente terá de reforçar seu arsenal. O PMDB ameaça correr por fora, ou com Roberto Requião (PR) ou com Sarney (AP), mas está consciente de que sem um projeto alternativo de governo, sério e viável, não tem chances de amedrontar o adversário.PMDB em chamas

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