O discurso feito ontem pelo presidente Fernando Henrique Cardoso durante a posse dos novos ministros calou fundo nas oposições, que o interpretaram como uma ameaça explícita de endurecimento no momento mais crucial de seu governo, questionado no que tem de mais valioso, a honorabilidade. As denúncias de corrupção de deputados para votarem a favor da emenda da reeleição não atingem o presidente mas respingam nele, pois seu principal assessor, o ministro Sérgio Motta, está sob suspeição. A palavra-talismã brandida por FHC que mais impressionou a oposição foi ‘‘baionetas’’, e o deputado Marcelo Deda (PT-SE) resumiu o pensamento de seus pares ao afirmar que ‘‘o instrumento mais perigoso que usamos para nos defender dos golpes dos governistas no Congresso foram os apitos’’. A presença ostensiva de Sérgio Motta atrás de FHC na cerimônia foi um claro sinal do prestígio do ministro, mas o presidente deixou no ar a ameaça de que, caso seja comprovado o envolvimento de Motta - ou de qualquer outro ministro - no escândalo da reeleição, ele vai para a rua da amargura. O tempo é o senhor da razão.




Arrepio na espinha
A provocação feita quarta-feira pelo líder do Movimento dos Sem Terra, Pedro Stédile - convocando os sem-teto a invadirem terrenos e os com-fome a ocuparem os supermercados - causou constrangimento generalizado. O sinal de alarme soou no Planalto e tirou o sono até dos líderes da oposição.
O mote
Stédile exagerou, comentou um destacado líder oposicionista, que interpretou o discurso de ontem de FHC, durante a posse dos dois novos ministros, como um sinal de que o presidente poderá tirar proveito político disso. O exagero verbal do comandante supremo do MST, observou esse líder, deu a FHC o mote para sair da defensiva e partir para cima da oposição.


Imperadores
Antonio Ueno está caprichando no visual e afiando o japonês (que, aliás, domina melhor que o português). O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), o escalou ontem para ser o orador da sessão solene que o Congresso irá promover em homenagem aos imperadores do Japão.



Velho conhecido
O imperador Akihito e a imperatriz Michiko visitarão o Congresso no dia 3. A Câmara vai homenageá-los em plenário, às 10 horas. Ueno (PFL-PR), em seu oitavo mandato consecutivo, já esteve várias vezes com os imperadores em missões oficiais.
Desabafo
De Yeda Crusius, durante reunião, ontem de manhã na Câmara, sobre a prorrogação do Fundo de Estabilização Fiscal (FEF): ‘‘Esse Paraná vai me dar trabalho’’. Yeda, tucana do Rio Grande do Sul, é presidente da comissão especial que analisa o tema. Doze prefeitos paranaenses, entre eles José do Carmo, de Cambé, presidente da Associação dos Municípios do Paraná, compareceram à reunião.
Todos por um
Basílio Vilani (PSDB) está correndo uma lista entre os deputados da bancada federal do Paraná para condenar os prejuízos acarretados aos municípios pelo FEF. Vilani garante que toda a bancada irá assiná-la. Até Luiz Carlos Hauly, outro tucano de carteirinha e vice-líder do governo na Câmara, bateu forte ontem contra os reflexos do FEF no caixa das prefeituras.





Sherlock
O Ford Taurus placa FHC 2002 flagrado na semana passada na garagem do ministro das Comunicações, Sérgio Motta, deixou o deputado Fernando Ferro (PT-PE) com a pulga atrás da orelha. O deputado não resistiu à curiosidade e fuçou, fuçou até que descobriu o registro do veículo no Detran. O carro está em nome da empresa ‘‘Laranja Azeda Empreendimentos Ltda’’.
A missão
A próxima missão da qual Fernando Ferro se incumbiu é descobrir a quem pertence essa empresa, de nome tão sugestivo.
Barrados no baile
Muitos deputados desistiram de assistir à posse de Celso de Mello na presidência do Supremo Tribunal Federal. Havia tanta gente que muitos tiveram que ficar do lado de fora. E, lá dentro, espremidos, os convidados tiveram ainda que se resignar com a incapacidade do sistema de refrigeração em dar conta de tanto trabalho.
Blá, blá, blá
Paulo Bernardo (PT-PR) foi um dos parlamentares que deram meia-volta ao chegar à sede do Supremo. Mas o que o levou de fato a desistir não foi tanto a superlotação: foi a informação de que o ministro Sidney Sanches, que discursaria em nome de seus colegas do STF, tinha preparado um discurso com 24 laudas. E Sanches era apenas um dos muitos oradores inscritos...
Bom colega
José Dirceu, presidente nacional do PT, desprezou tanto a aglomeração quanto o ar rarefeito no STF: fincou o pé para prestigiar Celso de Mello, com quem, entre os anos de 66 a 69, compartilhou de uma república em São Paulo. Os dois foram colegas do curso de Direito.
Impunidade
Quantas vezes a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara autorizou que algum deputado fosse processado? Nenhuma.

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