As denúncias de corrupção na votação da emenda da reeleição foram interpretadas como uma dádiva dos céus pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Dirigentes da entidade começaram a analisar ontem, em Brasília, a conveniência ou não de se manifestarem sobre o assunto. Em abril, a CNBB acusou, sem meias-palavras, que a emenda da reeleição foi aprovada graças a deputados que venderam seus votos. FHC não gostou, e produziu a até então mais longa de suas notas oficiais, com 20 laudas.
PPB se fortaleceO pedido de renúncia dos deputados Ronivon Santiago e João Maia foi a tábua de salvação do Planalto para evitar a instalação, ainda esta semana, de uma CPI para investigar os bastidores nebulosos da aprovação da emenda da reeleição pela Câmara. Esta foi a primeira boa notícia do dia para Fernando Henrique, que fechou sua agenda com outra vitória a comemorar: a aprovação pelo Senado, em primeiro turno, da reeleição. A comissão de sindicância encerrou seus trabalho após às 21 horas, ao entregar o relatório para a Mesa Diretora da Câmara, que acatou integralmente suas recomendações: abertura de processo de cassação dos outros três deputados envolvidos e a recomendação para que o Ministério Público investigue a possibilidade de envolvimento dos governadores do Acre e do Amazonas e, ainda, do ministro das Comunicações, Sérgio Motta. O Congresso se esvazia hoje e na próxima semana, que terá um feriado na quinta, o quórum deverá ser baixo. A pressão parlamentar, portanto, será reduzida - e o tempo conspira a favor de Fernando Henrique.Luz divina

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