Todos os acusados de venderem o voto a favor da emenda da reeleição já foram ouvidos pela comissão de sindicância criada pela Câmara dos Deputados. Ronivon Santiago (AC) e João Maia (AM), expulsos do PFL e réus confessos porque tiveram suas conversas gravadas e transcritas pela ‘‘Folha de S. Paulo’’ não tiveram dúvida: garantiram a todo o pulmão que são inocentes, absolutamente inocentes, inteiramente inocentes.
Pérolas do diaO governo agiu rápido para evitar o que, no momento, poderia se transformar numa avalanche contra os planos de reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso: a convocação de uma CPI sobre a compra e venda de votos durante a votação da emenda. Líderes aliados inciaram na noite de quarta-feira uma verdadeira maratona para convencer seus subordinados, que já haviam assinado a lista pedindo a CPI, a retirarem suas assinaturas, e ontem à tarde já podiam contar vitória. Enfrentaram e venceram a primeira batalha: dezesseis deputados recuaram e o pedido de CPI foi devolvido à oposição. ‘‘A CPI está definitivamente sepultada’’, comentou o líder do PFL, Inocêncio de Oliveira (PE), mas sua bravata poderá ter curta duração. A oposição não se deu por vencida e ameaça voltar com toda a carga de sua cavalaria para o segundo embate, previsto para a próxima semana, e o PMDB dá sinais, através de seu líder no Senado, Jáder Barbalho (PA), de que poderá se decidir a favor da CPI. O governo está ganhando tempo, à espera de que as denúncias esfriem, e sua manobra é clara - atribuir somente aos deputados flagrados pela ‘‘Folha de S. Paulo’’ toda e qualquer responsabilidade pelo episódio. O presidente do Congresso Antônio Carlos Magalhães (BA) é o general que conduz o conflito para este desfiladeiro, obrigando seu partido, o PFL, a expulsar dois dos envolvidos e fazendo marcação cerrada para que a Câmara casse seus mandatos em processo sumário.




Sem culpa

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