A Câmara viveu ontem um dia de tumulto generalizado, começando pela manhã - com conciliábulos nervosos e pouco recatados entre líderes da oposição - e culminando com o ‘‘apitaço’’ e sopapos no plenário, no final da tarde. Os deputados de oposição não se conformam com a ‘‘puxada de tapete’’ dada anteontem pelo líder do PFL, Inocêncio de Oliveira, com a conivência do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP)
No tapetãoOs líderes do PMDB que visitaram ontem o presidente Fernando Henrique para lhe comunicar que o partido abria mão de indicar os nomes para os ministérios da Justiça e dos Transportes tentaram passar a imagem de que queriam deixar o presidente com total liberdade. Michel Temer, presidente da Câmara, e os líderes do PMDB na Câmara, Geddel Vieira, e no Senado, Jader Barbalho, procuraram o presidente, no início da tarde, para lhe transmitir esse recado. E de lá saíram propalando que tudo estava bem, que jamais passou pela cabeça deles usar as nomeações como instrumento de pressão, que, fosse qual fosse a decisão presidencial, o PMDB continuaria apoiando o governo. Mas a manobra ficou clara para o Planalto: o PMDB está pressionando o presidente a tomar uma decisão urgente - afinal, desde março as Pastas foram oferecidas ao partido que, em troca, deveria indicar os nomes para ocupá-las. FHC recebeu educadamente os líderes, agradeceu a cortesia mas, no início da noite, seu porta-voz, Sérgio Amaral, não deixou dúvida no ar: a função de nomear ministro, lembrou, sempre foi e continua sendo atribuição exclusiva do presidente.



Dia de índio

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