Brasil On Line - José Antonio Pedriali
Quinta-feira, e o Congresso normalmente se esvazia. Mas ontem, devido à concentração dos sem-terra na Praça dos Três Poderes, os gabinetes e corredores ficaram mais vazios que habitualmente. Dos (poucos) deputados que permaneceram em Brasília, a maioria preferiu tirar o paletó e a gravata e se misturar aos manifestantes.
No laçoA pressão do Movimento dos Sem Terra (MST) surtiu efeito mesmo antes de seus líderes serem recebidos em audiência pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. O presidente, entrevistado no Palácio do Planalto pouco antes do almoço de ontem - quando a Praça dos Três Poderes e a Esplanada dos Ministérios já estavam abarrotadas de manifestantes - estendeu a mão, convidando os líderes do MST a trabalharem em conjunto com o governo no programa de reforma agrária. A reunião de FHC com os sem-terra será hoje à tarde, e dela participarão João Pedro Stédile, seu principal coordenador, e José Rainha, impulsionador das invasões do Pontal do Paranapanema. Em relação a Rainha, o país assistirá hoje a um paradoxo: ele chegou a Brasília há dois dias praticamente na condição de clandestino, já que responde a dois processos criminais e teve a prisão preventiva decretada várias vezes, e ficará cara a cara com a maior autoridade do país. A pauta do encontro somente será fechada hoje de manhã pelos sem-terra e terá ainda de ser submetida à aprovação do Planalto, que não quer tergiversações: exige que o encontro se resuma às reivindicações práticas do MST e não descambe para outros temas, como, por exemplo, a política econômica do governo.Folga à gravata





