O teto ruiu e o chão afundou
O presidente Fernando Henrique Cardoso terá hoje a árdua missão de apaziguar os líderes dos partidos aliados que sentiram o chão afundar quando, no sábado, em Itacoatiara, Amazonas, o presidente detonou o acordo que, em troca da aprovação da reforma administrativa pela Câmara, permitia a deputados e ocupantes de cargos transitórios acumularem uma aposentoria de até R$ 10,8 mil com seus salários, que passarão a ter o teto máximo de outros R$ 10,8 mil. O presidente os líderes se reunião hoje de manhã, no Palácio do Planalto, e, além de ouvir a queixa dos líderes - que se sentiram traídos pela reviravolta de FHC - tentarão, se ânimo houver, traçar a estratégia que possibilite a aprovação da reforma em segundo turno.
A reforma foi aprovada quarta-feira passada por apenas 309 votos - um a mais que o necessário -, apesar da garantia do extrateto, dirigida especialmente à ‘‘bancada dos aposentados’’, que ameaçava se rebelar porque não admitia ter seus vencimentos reduzidos em consequência do teto salarial, contido no texto do relator Moreira Franco (PMDB-RJ). A manobra do Planalto, conduzida diretamente por FHC, foi explícita, teve resultado favorável imediato, mas - e esta é a grande preocupação dos líderes - poderá dificultar, e até comprometer, a aprovação da reforma em segundo turno.



FEF em ação
A comissão especial que irá analisar a proposta de prorrogação do Fundo de Estabilização Fiscal (FEF) poderá ser instalada hoje se o clima no Congresso não estiver demasiadamente tumultuado, em função dos desdobramentos da aprovação da reforma administrativa.
Talvez sim
O deputado Luciano Pizzato (PFL), indicado para presidir a comissão, acredita que ‘‘há 90% de chance’’ de os trabalhos terem início hoje. Se os dez por cento restantes prevalecerem, a instalação fica pra a próxima semana, conforme entendimento de Pizzato com o líder do PFL na Câmara, Inocêncio de Oliveira.
Missão árdua
Pizzato sabe que terá uma missão espinhosa, já que o FEF tem levantado uma onda de clamor de Norte a Sul do país. Seus principais opositores são os prefeitos, já que o FEF retira 12% do Fundo de Participação dos Municípios.
Comunhão
O deputado paranaense ‘‘comunga integralmente’’ dos temores dos prefeitos e diz ter aceito a presidência da comissão com a condição de encontrar uma fórmula alternativa à proposta do governo. E esta fórmula, que irá tirar o sono dos membros da comissão, terá de satisfazer tanto o governo quanto os prefeitos.
Contrapartida
Até o momento há duas emendas ao FEF: uma de autoria de Paulo Bernardo (PT-PR), que retira o Fundo de Participação dos Municípios do cálculo do FEF; e outra de Basílio Villani (PSDB-PR), que estabelece o repasse de 13 parcelas do FPM para auxiliar os prefeitos a pagarem o 13º salário do funcionalismo.
Sabatina
O deputado José Borba (PTB), coordenador da bancada paranaense, confirma que a deputada Yeda Crusius (PSDB-RS) vai ser sabatinada hoje pelos deputados paranaenses. O Fundo de Estabilização Fiscal (FEF), do qual a deputada será a relatora, será o tema do interrogatório.
Marcação cerrada
O prefeito de Cambé e presidente da Associação dos Municípios do Paraná, José do Carmo Garcia, vai estar na reunião e deverá jogar duro em defesa dos municípios.




Ivo AkioPobre Greca
O secretário de Planejamento do Paraná, Rafael Greca, que se prepare: vai ouvir queixas amargas e sentidas dos deputados federais do Paraná que se reúnem com ele hoje em Brasília.
Bode expiatório
A bancada paranaense poderá usar Greca como bode expiatório do governador Jaime Lerner, a quem os deputados acusam de ter traído o acordo sobre as emendas do Orçamento de 95/96.
Acordo
Pelo acordo, os deputados - e também os senadores - abriram mão de suas emendas individuais, que poderiam totalizar até R$ 1,5 milhão, para que toda a verba da bancada fosse utilizada pelo governo do Paraná. Em contrapartida, o governo remanejaria do orçamento estadual o equivalente para atender as reivindicações dos municípios representados pelos deputados.
Desacordo
Dos R$ 45 milhões que a bancada tinha direito, e que foi repassado ao governo do Paraná, nenhum centavo, acusam os deputados, foi tirado do orçamento estadual para atender os pedidos da bancada. O governador Jaime Lerner, na tentativa de conter a rebelião da bancada, prometeu atender os pedidos dos deputados num teto de R$ 330 mil individualmente, mas até agora...
‘‘A pressão popular contra o extrateto foi como uma bomba sobre o Congresso. Uma bomba de efeito moral’’
Do líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira

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