Brasil oferecerá R$ 500 mi a países da África
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quinta-feira, 30 de outubro de 2003
Agência Estado 
Brasília - Na primeira viagem oficial à África, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva oferecerá na próxima semana aos governos de cinco países do continente um total de R$ 500 milhões, que serão repassados até o fim do mandato, em acordos de cooperação para reduzir dificuldades conhecidas dos brasileiros, como analfabetismo, falta de remédios e carências na área de saúde. Lula embarca amanhã à noite para São Tomé e Príncipe, depois, seguirá rumo a Angola, Moçambique, Namíbia e, por fim, no dia 8, África do Sul, onde apóia a candidatura do país para sediar a Copa do Mundo de Futebol de 2010 e se encontra com o ex-presidente Nelson Mandela, nos dez anos do fim do apartheid, regime de segregação racial.
O embaixador Pedro Motta Coelho, diretor do Departamento da África do Ministério das Relações Exteriores, afirma que a viagem de Lula faz parte da estratégia do governo em reforçar a posição de líder de países em desenvolvimento e incrementar as negociações comerciais.
Em 2002, o Brasil negociou um total de US$ 5,3 bilhões com a África. ''É possível aumentar, por exemplo, a exportação de bens e serviços'', afirma Coelho. Ele ressalta que a viagem do presidente é a primeira fase de um projeto maior de cooperação maior com a África. Um grupo de 160 empresários acompanhará Lula. Cada empresário paga as próprias despesas. A comitiva pretende avaliar as possibilidades de investimentos no continente.
Empresas brasileiras atuam nos países que o presidente conhecerá. Em Moçambique, a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) desenvolve um plano de extração de carvão moatize e participa da reconstrução de um empreendimento com custo estimado em US$ 700 milhões para a reconstrução de estrada de ferro e hidrelétricas. No país, a administração federal brasileira investirá na construção de uma fábrica de medicamentos genéricos e contra Aids e no programa Bolsa-Escola.
A ministra especial para Políticas de Promoção da Igualdade Social, Matilde Ribeiro, esteve no início de outubro em Angola, Moçambique e África do Sul para preparar a viagem de Lula. Embora Angola e Moçambique tenham enfrentado, recentemente, um longo período de guerra civil, Matilde avalia que não é preciso um aparato especial de segurança e logística para atender a comitiva presidencial.


