Brasília- O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, antecipou que o Brasil votará contra uma eventual resolução da Organização dos Estados Americanos (OEA) de condenação a Cuba, por abusos aos direitos humanos. Na Câmara de Deputados, o chanceler explicou que o governo brasileiro considera discutível, dos pontos de vista ético, moral e jurídico, a promoção desses debates pelo fato de a organização ter expulsado Cuba.
O ministro enfatizou que o Brasil considera ''lamentáveis'' os julgamentos sumários, as condenações a pena de morte e as prisões políticas por Havana. Entretanto, defendeu que, neste momento, será mais positivo manter o ''engajamento construtivo'' da diplomacia brasileira com o ''país irmão''.
Amorim relatou que conversou recentemente com o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Perez Roque. No diálogo, alertou seu colega que os recentes abusos de Havana aos direitos humanos impedem a ajuda dos ''países amigos de Cuba''.
''O Brasil não apoiará uma resolução sobre Cuba porque considera que a OEA não tem competência para tratar desse assunto'', defendeu Amorim aos deputados da Comissão de Relações Exteriores. ''Não se pode usar justamente o foro internacional que expulsou um país para condená-lo'', completou.
Questionado insistentemente pelos deputados sobre a decisão do governo de manter a tradicional abstenção do Brasil na votação de uma resolução de condenação a Cuba na Comissão de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), mesmo depois das notícias das prisões e condenações à morte por Havana, Amorim revidou com uma saraivada de críticas à instituição.

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