Brasil na ONU recebe apoio de Cavallo
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terça-feira, 26 de agosto de 1997
Agências Estado e Folha Rio e Brasília 
Agência Estado
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AgradoFHC e o embaixador argentino Jorge Vega: deferência especial e conversa longe dos jornalistasO ex-ministro da Economia argentino Domingo Cavallo considerou um equívoco a reação do presidente da Argentina, Carlos Menem, contra a candidatura do Brasil a uma vaga permanente no Conselho de Segurança das Organizações das Nações Unidas (ONU). Para Cavallo, que há pouco mais de um ano deixou o Ministério após divergir publicamente de Menem, o Brasil iria defender bem os interesses da América Latina na ONU.
Cavallo aprovou o que chamou de tom jocoso assumido por Fernando Henrique Cardoso durante o incidente. O presidente brasileiro minimizou a disputa ao declarar que o Mercosul é mais importante para o País do que a disputa pela vaga na ONU. O Brasil é prioridade para a Argentina, disse Cavallo, que, como o presidente brasileiro, defendeu a criação de uma nova vaga no Conselho, essa de caráter rotativo, na qual outros países latino-americanos se alternariam.
Candidato declarado à sucessão de Carlos Menem em 1999, Cavallo, que criou recentemente o Partido Ação Pela República, esteve no Rio a convite do PTB. O ex-ministro participou de uma palestra no Hotel Glória, em almoço que teve como anfitrião o deputado federal Roberto Jefferson, ex-integrante da tropa de choque do então presidente Fernando Collor de Melo. Ao agradecer o convite para a palestra, Domingo Cavallo citou a ligação política do seu partido com o PTB.
O presidente Fernando Henrique Cardoso abriu ontem uma exceção na tradicional cerimônia de entrega de credenciais a embaixadores estrangeiros e fez uma solenidade exclusiva para o embaixador argentino, Jorge Herrera Vega. A deferência especial, como foi definida pelo cerimonial do Palácio do Planalto, acontece uma semana depois do auge da crise entre Brasil e Argentina, motivada pela disputa de uma vaga no Conselho de Segurança das Nações Unidas.
O Itamaraty informou que o novo embaixador brasileiro na Argentina, Luiz Felipe de Seixas Corrêa, também foi recebido em cerimônia exclusiva pelo presidente Carlos Menem. Em geral, a cerimônia no Planalto (um ritual que dura no mínimo duas horas) reúne pelo menos três novos embaixadores. Os Dragões da Independência ficam perfilados na rampa do Planalto, a banda presidencial toca os hinos do Brasil e dos países cujos embaixadores estão recebendo credencial, e a polícia bloqueia a rua em frente ao Planalto. Ontem, o sofá onde o presidente e o embaixador argentino conversaram por dez minutos foi colocado longe dos fotógrafos, impedindo que a conversa fosse ouvida.
Ao lado do presidente ficaram os ministros Luiz Felipe Lampreia (Relações Exteriores), Clóvis Carvalho (Casa Civil) e Alberto Cardoso (Casa Militar). A disposição do governo brasileiro é manter as conversas com a Argentina e continuar defendendo que a vaga no conselho seja permanente e não provisória, como havia proposto o presidente Carlos Menem. O porta-voz da Presidência, Sergio Amaral, afirmou que a disputa por um espaço no Conselho de Segurança não pode interferir nas relações entre os países membros do Mercosul.


