Brasil interrompe relações com Chile
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domingo, 03 de dezembro de 2000
Doca de Oliveira Agência Estado Da Cidade do México 
O governo brasileiro vai endurecer nas negociações em torno da adesão do Chile ao Mercado Comum do Cone Sul (Mercosul) e condicionará um eventual acordo ao estabelecimento de compensações tarifárias para os países do bloco. Essa é a posição que o ministro das Relações Exteriores, Luís Felipe Lampreia, vem discutindo nos últimos dias com os chanceleres dos países membros do bloco, após ter sido surpreendido pela decisão do governo chileno de se incorporar ao Nafta. Ele declarou suspensas as negociações comerciais que vinham sendo feitas entre Mercosul e Chile.
Há direito a compensações pela Aladi, avisou o ministro, horas antes de se encontrar com Soledad Alvear, ministra das Relações Exteriores do Chile. Os dois foram ao México prestigiar a posse do presidente Vicente Fox, na sexta-feira. Assim como o México teve de fazer um protocolo adicional sobre compensações para os países da Aladi, que deixaram de ter preferências pelo fato de o México ter aderido ao Nafta, o mesmo se aplicará ao Chile, acrescentou.
O encontro da chanceler chilena com o colega brasileiro foi marcado às pressas, num esforço do governo do Chile para reparar o estrago produzido pelo anúncio das negociações de um acordo comercial com os Estados Unidos. O presidente do Chile, Ricardo Lagos, teve um encontro com o presidente Fernando Henrique Cardoso na quinta-feira para desfazer o mal-estar.
No mesmo dia, o chanceler brasileiro teve uma série de conversas com os colegas membros do Mercosul para definir que posição tomar diante da surpresa preparada pelo governo chileno. Vamos interromper o curso dos eventos, frisou Lampreia. Nós estávamos discutindo uma linha de incorporação do Chile, que inclui mecanismos decisórios, mas não faz sentido que o Chile participe de mecanismos decisórios, informou.
O governo do Chile será excluído de todas as discussões sobre medidas na área econômica, mas poderá continuar participando dos debates políticos e das áreas de educação e saúde, por exemplo. Todas as coisas de comércio estão interrompidas, confirmou o chanceler brasileiro. Na área comercial, houve um fato novo que é muito importante e não pode haver outra conclusão, acrescentou.
Nem mesmo o discurso conciliador de Ricardo Lagos que declarou prioridade ao Mercosul, minimizando a importância dos entendimentos com os Estados Unidos foi suficiente para neutralizar a reação negativa do governo brasileiro. Nós temos o direito de estar surpresos porque nós soubemos pelos americanos e não pelos chilenos, afirmou Lampreia. Uma decisão como essa do Chile afeta a conversa com o Mercosul e nós teremos de mudar as bases daquilo que tínhamos conversado no Panamá, acrescentou.
O chanceler brasileiro deixou claro que o Chile terá de escolher entre Nafta e Mercosul, uma vez que estão avançando os entendimento para a criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) em 2005. São coisas difíceis de compatibilizar, pelo menos no curto prazo, disse o ministro. Não sei se o Nafta vai existir quando for formada a Alca em 2005; é possível que não exista mais, explicou. Nós achamos que a Alca e Mercosul não são excludentes; por isso, é possível fazer parte de ambos.
Endossada pelo governo brasileiro, a adesão do Chile ao Mercosul é uma negociação que avança com dificuldades. O governo chileno diz que gostaria de fazer parte do bloco, mas vem impondo uma série de condições para formalizar a incorporação. Além de baixar tarifas comerciais, o Chile quer manter a autonomia comercial e continuar negociando os acordos que sejam do interesse do país. Como conciliar as duas coisas se tornou uma questão de difícil resposta. É uma boa pergunta, reconheceu Lampreia.


