Brasil insiste em vaga permanente
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 13 de julho de 1998
Isabel Braga e Doca de Oliveira 
O secretário-geral não apoiou diretamente a candidatura do Brasil a uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU, embora o Itamaraty tenha insistido. Mas elogiou a atuação do Brasil nos diferentes órgãos da Organização, como o apoio às reformas administrativas promovidas por ele. O Brasil tem hoje um papel de liderança na ONU e as credenciais brasileiras estão estabelecidas, destacou. O Brasil é um dos países-membros da ONU mais ativos na manutenção da paz e tem potencial para ser ainda mais participante.
Kofi Annan admitiu ontem em Brasília que o Conselho de Segurança da entidade precisa ser reformado para estar em sintonia com as realidades políticas e econômicas de nossos dias. Apesar de esta ser uma questão para os estados-membros decidirem, permitam-me dizer que há um consenso de que atual configuração do Conselho reflete o mundo de 1945, não o de hoje, afirmou o secretário-geral da ONU em aula inaugural no Itamaraty.
FHC aproveitou a visita de Annan para também defender a construção de uma ordem mundial mais democrática, em que se respeite as diferenças de capacidade econômica e de ação social. Todos sabemos que o poder tem limites e que, no mundo de hoje, não há país poderoso, quando esse país não é capaz de ser sensível aos clamores do mundo, afirmou em discurso feito de improviso após a aula inaugural de Annan. O poder mundial mais forte, mesmo o poder atômico, tem limites diante da formação de uma opinião pública mundial.
No brinde feito antes do almoço que ofereceu a Annan, FHC voltou a defender mudanças no Conselho de Segurança. A eficácia não se dissocia da legitimidade, afirmou o presidente para justificar o aprimoramento do conselho. FHC enfatizou que mesmo não sendo membro permanente, o Brasil tem contribuído ativamente nas diversas decisões da entidade.


