O secretário-geral não apoiou diretamente a candidatura do Brasil a uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU, embora o Itamaraty tenha insistido. Mas elogiou a atuação do Brasil nos diferentes órgãos da Organização, como o apoio às reformas administrativas promovidas por ele. ‘‘O Brasil tem hoje um papel de liderança na ONU e as credenciais brasileiras estão estabelecidas’’, destacou. ‘‘O Brasil é um dos países-membros da ONU mais ativos na manutenção da paz e tem potencial para ser ainda mais participante.’’
Kofi Annan admitiu ontem em Brasília que o Conselho de Segurança da entidade precisa ser reformado para ‘‘estar em sintonia com as realidades políticas e econômicas de nossos dias’’. ‘‘Apesar de esta ser uma questão para os estados-membros decidirem, permitam-me dizer que há um consenso de que atual configuração do Conselho reflete o mundo de 1945, não o de hoje’’, afirmou o secretário-geral da ONU em aula inaugural no Itamaraty.
FHC aproveitou a visita de Annan para também defender a construção de uma ordem mundial mais democrática, em que se respeite as diferenças de capacidade econômica e de ação social. ‘‘Todos sabemos que o poder tem limites e que, no mundo de hoje, não há país poderoso, quando esse país não é capaz de ser sensível aos clamores do mundo’’, afirmou em discurso feito de improviso após a aula inaugural de Annan. ‘‘O poder mundial mais forte, mesmo o poder atômico, tem limites diante da formação de uma opinião pública mundial.’’
No brinde feito antes do almoço que ofereceu a Annan, FHC voltou a defender mudanças no Conselho de Segurança. ‘‘A eficácia não se dissocia da legitimidade’’, afirmou o presidente para justificar o aprimoramento do conselho. FHC enfatizou que mesmo não sendo membro permanente, o Brasil tem contribuído ativamente nas diversas decisões da entidade.

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