Brasil gasta menos em 98 com pagamento de dívida
PUBLICAÇÃO
domingo, 11 de janeiro de 1998
Agência Estado 
Brasília
O Brasil terá, este ano, menos gastos com amortizações e juros da dívida externa. Ante os US$ 38 bilhões pagos em 97, o país vai desembolsar aproximadamente US$ 30,6 bilhões até o final desse ano. Serão em torno de US$ 17 bilhões em amortizações e outros US$ 13,6 bilhões líquidos em juros. Em termos brutos, o pagamento de juros vai chegar, entretanto, a US$ 17 bilhões. No ano passado, as amortizações ficaram em US$ 23 bilhões enquanto o pagamento de juros alcançou US$ 15 bilhões. Os dados constam de documento elaborado pelo Banco Central e consideram as dívidas dos setores público e privado.
Dos US$ 17 bilhões da amortização, um total de US$ 12 bilhões são pagamentos de principal da dívida registrada, ou seja, com prazo superior a um ano. Em 1999, essa amortização cairá para US$ 10,1 bilhões e para US$ 6,65 bilhões no ano 2000. Ainda segundo o documento, o pagamento de amortizações em 1998 está concentrado no final do ano quando ocorre a maior parte dos vencimentos. Serão aproximadamente US$ 8,5 bilhões no último trimestre.
Os desembolsos para o pagamento de dívidas que vencem nos primeiros três meses do ano ficarão em torno de US$ 2 bilhões. Mais US$ 3 bilhões serão pagos no segundo trimestre e outros US$ 3,5 bilhões entre julho, agosto e setembro próximos. Em julho, vence o segundo bônus da série que foi emitida pela República entre junho de 1995 até meados do ano passado. Serão US$ 724 milhões para pagar a captação feita junto a investidores europeus e americanos.
No tocante aos US$ 46,9 bilhões da dívida chamada reestruturada, que é a dívida de responsabilidade do setor público contraída junto a instituições privadas e governamentais, está previsto o pagamento de US$ 2,95 bilhões em amortizações. A maior parte desse valor, ou US$ 1,44 bilhões, será enviada ao Clube de Paris, que reúne as agências oficiais de crédito. Mais US$ 108,61 milhões vão pagar parte do principal de um dos sete bonus denominados bradies (bonus da dívida que foi renegociada com desconto em 1994). É o bonus de juros (Elegible Interest). Na reestruturação, parte da dívida de juros foi negociada em novos bonus.
Outros US$ 1,3 bilhões amortizarão os chamados pré-bradies. No caso, são bonus que já existiam antes da reestruturação como os IDU (Interest Due Unpaid) que são os bonus de juros atrasados e não pagos. Em 97, foram pagos US$ 2,6 bilhões em amortizações da dívida reestruturada.


