Lausanne - A Justiça suíça aceitou acelerar a devolução do dinheiro bloqueado em nome do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa. Só esses recursos superam a soma de todos os repatriamentos de ativos feitos pelo Brasil até hoje. Em reunião entre procuradores brasileiros e suíços, os europeus entregaram novos documentos sobre a movimentação financeira das contas.
Os mais de US$ 26 milhões - cerca de R$ 65 milhões - estão congelados desde abril em cinco contas. O Ministério Público da Suíça investiga os operadores do esquema da Petrobras por lavagem de dinheiro. Não há prazo para esses valores retornarem ao Brasil, em função de trâmites burocráticos. "O repatriamento pode levar de semanas a meses", disse o procurador brasileiro Deltan Dallagnol.
Segundo ele, o dinheiro será superior a tudo o que o Brasil já obteve em anos de trabalho de recuperação de ativos confiscados no exterior. No total, a Justiça brasileira repatriou até hoje cerca de R$ 45 milhões, em processos que levaram anos. No caso do deputado e ex-prefeito Paulo Maluf (PP-SP), que começou na Suíça e depois envolveu Jersey, o processo desde a identificação dos recursos até a devolução dos valores levou mais de 12 anos.
Os procuradores brasileiros saem da Suíça também com novos documentos sobre quem teria alimentado as contas secretas. Os nomes dos envolvidos não foram revelados. O sigilo faz parte do acordo e qualquer vazamento pode pôr fim à cooperação dos suíços. Os suíços exigiram que o Brasil abra uma conta especial, que será administrada por uma instituição pública. Num primeiro momento, o dinheiro ficará bloqueado. "Vamos ter de avaliar quem foi lesado", disse Dallagnol.

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