Rio de Janeiro- A visita oficial ao Brasil do presidente da França, Nicolas Sarkozy, vai marcar a primeira grande cartada da Estratégia Nacional de Defesa, plano formulado pelo Ministério da Defesa e pelo Secretaria de Assuntos Estratégicos em documento lançado nessa semana.
Será firmado convênio para a construção de quatro submarinos convencionais e o apoio da França na construção de um submarino de propulsão nuclear (desenvolvimento do casco e sistemas eletrônicos) - a propulsão será brasileira. Também está prevista a construção de 50 helicópteros de transporte franceses no Brasil para as três Forças.
A visita inaugura a prática de centralização de compras militares no Ministério da Defesa. A tradição militar brasileira era a de cada uma das Forças adquirir separadamente seus materiais.
Além de fazer um pacote de acordos e compras, a negociação com a França se encaixa no modelo considerado ideal pela nova estratégia nacional para o setor. O plano defende a cooperação internacional com transferência de tecnologia, com o objetivo de desenvolver a capacitação tecnológica e a fabricação de produtos de defesa para eliminar progressivamente a compra de serviços e produtos importados.
Apesar disso, os franceses ainda tentam convencer o Brasil a comprar o submarino de propulsão nuclear já pronto. Mas a área nuclear é um dos três ''setores estratégicos essenciais'', e o projeto do submarino, prioridade.
Função dupla
Acompanhado de sua mulher, a cantora Carla Bruni, Sarkozy chega amanhã ao Rio com duas pautas para tratar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na visita oficial de dois dias. Representando a França e a União Européia, cujo conselho preside atualmente, Sarkozy definirá o plano de ação para implementar as bases em que ocorrerá a ''parceria estratégica'' entre o país e a UE, além da agenda comercial bilateral.
A comitiva francesa deve incluir, além do chanceler Bernard Kouchner, o ministro da Defesa, Hervé Morin, o da Educação, Xavier Darcos, e a secretária do Comércio Exterior, Anne Marie Idrac.

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