O Palácio do Planalto quer divulgar já em meados de setembro as primeiras propagandas do Brasil em Ação - carro-chefe do último ano do governo do presidente Fernando Henrique Cardoso e de sua campanha à reeleição. Para isso, as providências foram aceleradas: apesar de só dispor da maior parte da verba publicitária em 1998, o Ministério do Planejamento abre nesta segunda-feira os envelopes da licitação para escolha da agência ou consórcio de agências que assumirá a campanha do Brasil em Ação, orçada em R$ 35 milhões.
O dinheiro será suficiente, segundo coordenadores do trabalho, para veicular, durante este ano e o próximo, anúncios em TV, rádio e imprensa sobre as 42 obras e projetos que compõem o Brasil em Ação. O governo não pretende interromper seu principal projeto publicitário no período que antecederá as eleições. Só fará isso se a legislação, em votação no Congresso, ou a Justiça Eleitoral vier a exigir expressamente a suspensão de propagandas de obras públicas patrocinadas pelos candidatos à reeleição.
Apesar de ter tomado na sexta-feira medidas para concentrar a principal verba de publicidade no Planejamento - gerente do Brasil em Ação -, o Planalto usará também recursos de outras áreas para divulgar as metas de Fernando Henrique. A Telebrás, por exemplo, recebeu na quinta-feira 18 propostas para uma campanha estimada em R$ 36 milhões. A empresa, que participa do Brasil em Ação com um projeto de telecomunicações, poderá usar parte desta verba para anúncios que levem o selo do programa. O mesmo poderá ser feito pela Petrobrás e outras estatais que têm dinheiro disponível para publicidade.
Ao unificar a publicidade no Ministério do Planejamento, o Planalto quis principalmente garantir a unidade na linguagem de seu principal projeto de comunicação. A verba do Planejamento está dividida da seguinte maneira: R$ 7 milhões estão previstos no Orçamento deste ano e quatro vezes mais - R$ 28 milhões - no de 1998. Ao anunciar há duas semanas, durante a comemoração do primeiro ano do programa, os novos gastos, o ministro do Planejamento, Antônio Kandir, afirmou que era preciso ‘‘tirar o Brasil em Ação da clandestinidade’’.
Os R$ 28 milhões representarão 23% de todo o Orçamento da administração direta para publicidade em 1998, se o governo mantiver a promessa de reservar para essa despesa R$ 120 milhões, como vem fazendo nos últimos anos. Isso deverá ocorrer porque a lei eleitoral, em discussão na Câmara, tende a proibir a elevação, em ano eleitoral, dos gastos públicos com publicidade.

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