Brasil e Síria assinam acordos de cooperação
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quinta-feira, 04 de dezembro de 2003
Agência France Presse 
Damasco, Síria - Brasil e Síria assinaram ontem acordos de cooperação nos âmbitos do turismo, saúde, esportes, cultura e educação por ocasião da visita a Damasco do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lula e o presidente sírio Bachir Al Assad assistiram à cerimônia de assinatura, segundo a agência oficial síria Sana. Ambos mantiveram previamente uma reunião na presença das delegações dos dois países, pouco depois da chegada à capital síria do presidente brasileiro, que viaja acompanhado por sua esposa para uma visita de dois dias.
Lula, primeiro chefe de Estado brasileiro a visitar o Oriente Médio desde 1870, foi recebido no palácio presidencial com um ato solene, durante o qual foram disparados 21 tiros de canhão. A Síria é a primeira etapa de uma viagem de Lula que, em seguida, o levará ao Líbano, Emirados Árabes Unidos, Egito e Líbia, última etapa do roteiro que se encerra no dia 10.
Lula espera aproveitar esta viagem para ampliar as relações econômicas do Brasil com os países que visita. Além da primeira-dama, Marisa Letícia, o presidente viaja acompanhado de seus ministros das Relações Exteriores, Celso Amorim, de Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, da Integração, Ciro Gomes, e do Turismo, Walfrido dos Mares Guia, assim como o ex-presidente argentino Eduardo Duhalde, presidente da Comissão de Representantes Permanentes do Mercosul. A delegação inclui também vários governadores, deputados, senadores e uma centena de empresários brasileiros.
O ministro da Economia, Antonio Palocci, deveria integrar o grupo, mas seu embarque foi cancelado no último momento ''por questões de agenda'', segundo sua assessoria de imprensa.
No Brasil, afirma-se que o objetivo desta viagem é reforçar a posição dos países em desenvolvimento nas negociações comerciais multilaterais e favorecer as exportações brasileiras que atualmente compensam uma economia nacional estancada. Ao nível diplomático, Lula quer obter novos apoios para que o Brasil obtenha um posto permanente no Conselho de Segurança da ONU (leia texto nesta página) e avançar no projeto de uma cúpula de chefes de Estado sul-americanos e dos países árabes em maio de 2004 no Rio de Janeiro.
O chanceler Celso Amorim declarou na semana passada que o Brasil era contrário às ''sanções unilaterais'' que os Estados Unidos pretendem impor à Síria por seu suposto apoio ao ''terrorismo''. No dia 11 de novembro, o Congresso americano votou sanções econômicas e políticas contra a Síria, as quais para entrar em vigor devem ser assinadas pelo presidente George W. Bush.
Empresas brasileiras, entre as quais a Crystalsev, e um consórcio sírio, controlado pela National Commodities & Agencies Company, comprometeram-se a investir um total de US$ 150 milhões na construção de uma usina de refino de açúcar na Síria, cujo produto final será destinado ao mercado da região. Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, o acordo empresarial permitirá a exportação brasileira de US$ 200 milhões de açúcar em bruto ao ano - cerca de 1 milhão de toneladas - e de equipamentos para a usina. (com Agência Estado)


