Brasil é 'sério' candidato na ONU, afirma Powell
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terça-feira, 05 de outubro de 2004
Márcio Senne de Moraes<br>Folhapress 
São Paulo - O secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, afirmou ontem, em evento em São Paulo, que a candidatura do Brasil a um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU é ''séria'' e ''sólida'', porém não indicou que os EUA pretendam dar seu apoio formal à intenção brasileira antes da publicação de um relatório da ONU sobre a reforma da entidade, marcada para o final do ano.
''Os EUA saúdam a crescente liderança brasileira nas Américas e na cena mundial... O Brasil é um candidato sólido a integrar um CS ampliado'', declarou Powell ante uma platéia de mais de cem empresários convidados pela Câmara de Comércio Americana de São Paulo e pelo consulado dos EUA.
''Trata-se de uma grande democracia, não-nuclear, que desempenha um papel responsável na cena mundial. É um país que está disposto a enviar tropas a outras parte do mundo e do hemisfério e a participar de esforços de manutenção da paz'', avaliou Powell. Todavia ele afirmou ainda que, antes que o relatório da ONU sobre o tema seja divulgado, os EUA ''crêem que seja melhor não apontar nenhum país específico''.
Outros países, como a França, o Reino Unido e a Rússia - que são membros permanentes -, além da Alemanha, do Japão e da Índia - que também anseiam obter uma cadeira permanente no mais importante órgão decisório da ONU -, já expressaram publicamente sua aprovação à candidatura brasileira. Hoje os outros membros permanentes do CS, com direito de veto, são os EUA e a China. Esta não vê com bons olhos as aspirações japonesas.
Powell mencionou como passos importantes da diplomacia brasileira - que contribuem para fortalecer sua candidatura a um posto permanente no CS - a chefia da missão de paz da ONU no Haiti (atualmente), a atuação na resolução do impasse político na Venezuela, com a criação do Grupo de Amigos (início de 2003), e a participação na estabilização da crise boliviana (outubro de 2003).
O secretário de Estado, que também se reuniu com Lula e com o chanceler Celso Amorim, em Brasília, disse que a questão dos imigrantes ilegais que vivem nos EUA, incluindo muitos brasileiros, é relevante, mas ressaltou que o 11 de Setembro tornou mais difícil a regularização da situação deles.


