Brasil e Colômbia firmam acordo automotivo por 8 anos
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 09 de outubro de 2015
Adriano Ceolin e Renata Veríssimo<br> Agência Estado 
Bogotá e Brasília - Numa iniciativa para enfrentar a retração econômica mundial, Brasil e Colômbia firmaram ontem um acordo bilateral para zerar tarifas do setor automotivo com cotas crescentes a partir do ano que vem. O entendimento será válido por oito anos. Em 2016, a cota inicial será de 12 mil veículos, subirá a 25 mil no seguinte e chegará a 50 mil a partir de 2018.
O acordo foi fechado em Bogotá, durante visita de Estado da presidente Dilma Rousseff à Colômbia. "Em 2014, o intercâmbio comercial passou de US$ 1,5 bilhão a US$ 4 bilhões. São 165% de crescimento. Acredito que é apenas o início de um processo que, sem dúvida, será vantajoso para os povos e a economia dos países", disse Dilma.
O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, comemorou o acordo e citou que é preciso trabalhar, sobretudo, nos momento de crise econômica. "Aqui se produz uma verdadeira sinergia. Temos de trabalhar os temas comerciais diante das dificuldades econômicas. Aumentar os investimentos recíprocos", afirmou o presidente Santos.
A Colômbia é o terceiro maior mercado da América do Sul e pode significar um alívio para o setor nesse momento de queda nas vendas no mercado doméstico e encolhimento no comércio bilateral com a Argentina. A demanda na Colômbia gira em torno de 300 mil a 350 mil veículos por ano e o País ainda tem uma indústria automotiva em desenvolvimento, com capacidade de produção em torno de 120 mil Unidades.
Atualmente, para um carro brasileiro entrar no mercado colombiano precisa pagar 16% de tarifa de importação. O vice-presidente da Associação Nacional de Veículos Automotores (Anfavea), Antônio Sérgio Melo, disse à reportagem que o acordo dará condições mais favoráveis para o Brasil competir no mercado colombiano. Ele destacou que a Colômbia já tem outros acordos automotivos com países como EUA, México e Coreia, além da União Europeia.
Segundo o acordo, para terem direito à isenção de Imposto de Importação, as montadoras terão de cumprir uma exigência mínima de uso de peças regionais na produção. No primeiro ano, 9 mil unidades brasileiras terão que ser fabricadas com 50% de insumos locais e 3 mil veículos, com 35% de conteúdo regional. Para a Colômbia, a exigência é inversamente proporcional: 9 mil carros devem ter 35% de conteúdo regional e 3 mil, 50%.
O entendimento para o livre comércio no setor automotivo é um avanço do Acordo de Complementação Econômica de número 59 assinado, em 2003, por Colômbia, Venezuela, Equador e os países do Mercosul. Nos últimos anos, porém, o processo de redução de tarifas vinha ocorrendo de forma lenta. A Colômbia é um mercado muito atrativo porque se trata do segundo país mais importador da América do Sul.
Além do entendimento no setor automotivo, Dilma e Santos firmaram mais dois atos: um acordo de cooperação e facilitação de investimentos entre os países e um memorando de entendimento para a cooperação em assuntos indígenas na fronteira. Também foram firmadas parcerias na área de meio ambiente e transporte fluvial.


